Bom... acho que você deve saber oque é uma Creepy Pasta... se você não sabe vou fazer uma explicação bem simples: Creepypasta é um termo da internet que define uma história curta ou coleção de histórias com elementos paranormais, bizarros, ou ambos, designados para chocar ou causar desconforto emocional ao leitor.
Existem varias Creepy Pastas na web sobre muitos games mas falaremos sobre as de Pokémon (Avá)
Snow on Mt. Silver
Então, meu irmão e eu meio que crescemos com Pokemon. Muitos garotos fizeram isso por aqui. Isso funcionou perfeitamente para nós, já que, cada vez que uma nova geração saia, um de nós recebia uma versão e um de nós recebia a outra. Visto que nossa mãe gostava de nos estragar um pouco, tínhamos um terceiro jogo. A princípio, isso vai soar como uma história agridoce sobre dois irmãos que crescem com um par de jogos que, eventualmente, irá levá-los para duas estradas diferentes... Bem, é um pouco mais do que isso.
Os anos se passaram e continuamos colecionando. Gameboys ficaram velhos; foram substituídos. Os cartuchos foram jogados fora, pegamos novas cópias. Mas começamos a seguir caminhos completamente diferentes antes de R/S/E sair. Veja bem, meu irmão passou a usar Gameshark. Tínhamos ouvido todos os hacks e cheats que você poderia imaginar, e como fazê-los, mesmo que começássemos o jogo um pouco mais tarde, isso soava legal.
Nosso primeiro cartucho era do meu irmão, uma versão Blue antiga. Nós apenas jogamos com ele um pouco, nada grave. Mas acabamos ferrando com o cartucho. Depois de adicionarmos dois códigos, ele estragou completamente e tornou-se impossível de jogar. Ficamos chateados no começo; meu irmão lamentava pela perda de suas horas de trabalho, e eu compreendia. Eu lhe disse: "Está tudo bem, podemos substituí-lo, eu acho. Gamesharks estúpidos são um desperdício de dinheiro."
Mas, a partir daqui, finalmente nossos caminhos se separaram. Depois da confusão que houve com a versão Blue, eu fiquei contra a ideia de usar hack ou cheat em meus jogos. (O que eu posso dizer? Eu sou uma pintinha, tenho sentimentos com os pequenos bichos de pixel.) Pelo menos com Gameshark. Mas meu irmão havia levado a destruição do seu jogo como um desafio pessoal ou algo assim, não acho que ele já tenha jogado algo sem hackear de alguma forma. Sim, nós jogamos uma *** de Pokemons, cara. Mas para nós não há muito o que fazer; vivemos em um lugar sem muitas crianças, e os agricultores não as querem em suas propriedades. Desta forma, nós jogamos Pokemon no gramado quase todo o dia, todos os dias. É divertido para nós, pelo menos.
Perdemos o Gameshark quando nós mudamos de quarto. Um novo anexo foi construído em nossa casa e ele desapareceu na bagunça da *** que entulhava dentro do novo closet.
R/S/E chegou, e depois de brincarmos algumas vezes, estávamos de acordo que tinha algo faltando nele, em comparação com a última geração. Nós estávamos tentando jogar de forma honesta, e apesar de termos terminado, nos deixou com uma boa e velha nostalgia. Onde estavam os nossos velhos cartuchos G/S/C? Demorou um mês para vasculharmos as caixas, mas finalmente encontramos uma porrada de jogos e aparelhos eletrônicos antigos: meu antigo Game Boy Color roxo ainda funcionada, o vermelho dele não estava com as baterias no lugar. Nossos GBAs estavam bem, as extensões e os cabos de ligação - aqueles com um pequeno conector no meio - estavam embrulhados cuidadosamente para evitar desgastes e serem condenado ao lixo, como nosso antigo cabo.
Nós pegamos tudo o que pudíamos. Foi tão bom ter Yellow (que tinha sido o meu primeiro jogo e o mais caro), Red e Gold de volta.Logo fomos verificar nossos arquivos antigos, tendo nossas velhas memórias, e percebemos que as coisas das primeiras gerações eram muito nostálgicas para nos livrarmos. Eu recomecei Gold, ele recomeçou Silver. Imediatamente, ele pegou o Gameshark na caixa e colocou-o na parte de trás do GBA. Eu apenas balancei a cabeça para ele. E lembro de ter dito:
- Essa coisa vai matar seu jogo, você sabe.
Ele nunca gostava quando eu pregava sobre o "abuso de pixels". Fechei minha boca depois disso, mas o deixei de lado. Eu achava que apenas uma vez era demais; eu deveria manter meus pensamentos para mim mesma, realmente...
Era dois dias depois do ocorrido. Eu estava na varanda, Game Boy na mão, prestes a ir para o E4, quando percebi que precisava de uma ajudinha. Minha equipe foi mal balanceada graças a minha jogabilidade voltada para lazer, e na época não tinha nenhum grande treinador que eu poderia recorrer a artifícios. Eu sabia que meu irmão tinha dois emblemas na minha frente quando tínhamos verificados um com o outro, então eu esperava que talvez ele me desse um ou dois empurrões.
Agora, a coisa foi que passei as últimas 24 horas na casa de uma amiga. Eu tinha, literalmente, chegado em casa, jogado minha mochila no quarto, e ido para fora com meu GBA para jogar. Eu não tinha ideia do que ele tinha feito. Eu soube que ele tinha feito um jogo novo e... O que imaginei. Era tudo melhor para mim, uma vez que ele não precisaria dos Pokemons e eu tinha uma chance maior. Então me levantei e fui para casa, e quando eu estava atravessando a sala, notei que todos os jogos estavam no chão. Alguns cartuchos estavam destroçados, como se tivessem sido cortados por alguma coisa afiada. Até a antiga versão Blue, há muito tempo morta e sentimental demais para se jogar fora, estava quase dividida no meio, completamente inutilizável - mais ainda se estivesse funcionando.
Fiquei um pouco assustada. Isso deveria ter acontecido esta manhã, caso contrário, nossa mãe teria visto e reclamaria sobre o tapete. Coloquei meu GBA no bolso e fui até o quarto do meu irmão, encontrando a porta destrancada. De alguma forma, isso foi ainda mais preocupante.
Eu encontrei meu irmão sentado na beira da cama. As peças do seu GBA estavam aos seus pés, esmagadas. Ao lado da cama, estava um martelo e a tesoura de jardinagem da nossa mãe. Seu rosto estava mais pálido que eu já havia visto, mais pálido do que da vez que tínhamos ido até a rua, e um cego louco tinha perseguido ele com uma espingarda. Neste momento, notei o gameshark no chão e um cartucho prateado brilhando sobre sua cama. De alguma forma, eles tinham sido poupados da ira do martelo.
- Você está bem? - perguntei. Lembro-me do calafrio que me percorreu. Ele era meu irmão mais novo, vê-lo assim foi horrível.
- Foi horrível, - eu me lembro de sua voz rouca, e a forma como ela soou me fez estremecer. - Oh Deus. Branco por toda parte, depois preto...
Lembro-me de tê-lo abraçado. E eu me lembro, seu braço caiu e foi de encontro ao Game Boy do meu bolso. Ele gritou de repente, bem no meu ouvido, me fazendo pular e morder minha língua por acidente. Ele o arrancou do meu bolso e o atirou na parede. Gritei e fui correndo buscá-lo, esperando não encontrá-lo amassado. A tela estava escura, e embora temesse o pior, quando liguei o interruptor, ele estava normal. Eu esperei lá no canto, tentando fingir que o GBA não importava o suficiente.
O volume estava ligado.
O tema de abertura começou, e ele gritou novamente, pegando o martelo. Dessa vez, eu também gritei, e sai correndo do quarto com o GBA agarrado ao meu corpo, como um escudo.
Ele acabou na ala psique do hospital durante dois dias. Quando fomos visitá-lo, deixei meu GBA em casa. Ninguém conseguia descobrir o que havia deixado seu comportamento estranho. Houve uma conversa que eu não entendia na época, sobre algum tipo de transtorno que ele pode ou não ter tido, mas apesar da minha mãe e eu termos coletado e trazido todos os cartuchos para serem olhados (a ideia foi dela, não minha), ninguém tinha pensado em ligá-lo ao jogo... Talvez essa foi minha culpa. Eu não havia dito uma palavra sobre o que tinha acontecido quando ele, acidentalmente, tocou no meu Game Boy. Ou o terror cego e branco que ele tinha sido atirado quando a música começou.
Em minha última visita ao hospital, antes das aulas, eu fui deixada sozinha no quarto com ele, quanto a minha mãe teve uma conversa privada com o médico sobre as precauções a serem tomadas, caso ocorra novamente. Eu sentei em uma cadeira ao lado da cama, ele estava olhando para o teto. De repente, ele sentou-se, fazendo-me estremecer.
- Hey, - ele me disse - Angie. Vá no meu quarto quando você chegar em casa.
Eu não entendi o que ele quis me dizer, e então lembrei das coisas que não tinhas nas malas... O jogo e os instrumentos de hack debaixo da cama.- Livre-se deles. Eu não quero tocar neles novamente.
Sua voz estava cansada e desesperada... Ele parecia um velho em seu leito de morte. Meu pobre irmão estava com problemas... Como eu poderia recusar?
- Promete que vai se livrar deles.
- Tudo bem. Eu prometo.
Pela tarde, eu estava saindo da escola. Eu mantive a promessa dele na minha cabeça o dia todo. Eu não sabia disso na época, mas esta seria a última vez que eu poderia desempenhar o papel de irmã mais velha e ajudá-lo. Eu só tinha que chegar em casa e me livrar desse jogo... Mas, do jeito que o dia foi, uma curiosidade doentia começou a passar pela minha cabeça. O que poderia ter acontecido nesse jogo para assustá-lo tanto? Eu estava assustada, eu mesma, mas eu tinha que saber. Eu tinha que fazer.
Cheguei em casa e fui direto para seu quarto, decidindo descobrir que tipo de horror estava esperando por mim. Mamãe tinha limpado o quarto, o cartucho e o gameshartk não estavam mais visíveis. Eu me abaixei e rastejei debaixo da cama, sentindo-me tímida, mas segurando a promessa que fiz. Debaixo da cama havia poeira suficiente para me fazer tossir, legos antigos e vários outros brinquedos que eu não poderia definir apenas esbarrando com meus cotovelos. Mas finalmente vi dois objetos. Eles tinham sido empurrados para o canto, em cima de um caderno que parecia novo demais para estar aqui há muito tempo. Sem pensar, agarrei o canto do papel e arrastei tudo comigo, ainda ofegante da poeira. (Alergia.)
Eles pareciam tão inocentes, brinquedos simples. Quando desvio a atenção para a versão Silver e o gameshark no chão, passei a olhar o caderno de anotações. Nele, foram rabiscados pelo menos vinte códigos diferentes, mas um tinha sido riscado com hidrocor sobre o local onde, inicialmente, tinha sido escrito com caneta. Isto foi confuso. Ele tinha tentado apagá-lo com o marcador, mas ele pressionou com tanta força que a tinta havia molhado a parte de trás. A caneta tem um jeito de furar ao redor, então eu peguei o caderno e inclinei a parte de trás na luz. O reflexo do hidrocor revelou alguns rabiscos que ele tinha escrito. O código era uma bagunça incompreensível de letras e números, e as palavras ao me deixaram ainda mais confusa.
"Easter Egg - Snow on Mt. Silver"
Lembrei-me do que ele tinha dito quando o encontrei... Ele ficou entusiasmado com branco, branco e em seguida, preto... Significaria neve? Mesmo que fosse Agosto e a temperatura continuasse subindo a "90 todos os dias (/nota de tradução: esse número está na escala fahrenheit, seria em torno de 32.2º celsius), um arrepio percorreu minha espinha. Será que me atrevo...?
Peguei tudo, levei para o meu quarto e deitei-me no tapete, ao lado dos meu próprio GBA. Por um longo tempo, eu apenas olhava para ele. Quanto mais eu olhava, mais o rosto do Lugia tornava-se maníaco... Como uma espécie de sorriso torcido, como se estivesse me desafiando a descobrir o que havia acontecido com meu irmão. Eu era uma garota de 14 anos. Será que eu realmente deveria arriscar a sorte e acabar como ele? Eu olhei para o Lugia por mais algum tempo.
Eu tinha que ver.
Retirei o Gold do meu GBA e encaixei o Silver no lugar. Levei quase 15 minutos para recompor e ligá-lo.
Começou a funcionar normalmente. Deixei o som baixo, com medo do que poderia ouvir, e muito curiosa para seguir caminho. A tela do título estava normal, também. Lugia novamente, mas, de alguma forma, estava ameaçador - apesar do meu bom senso me dizer que era exatamente a mesma imagem. Como isso poderia ser ruim? Perguntei a mim mesma. Suas notas diziam Easter Egg. Quer dizer que estava programado no jogo?
O menu veio... Absolutamente normal. Seu personagem era Blake, como dizia o pokedex... Mas o tempo era estranho. 999:99. Eu sabia que ele não poderia ter feito tanto tempo, eu mal tinha registrado 50 horas no meu próprio jogo e estava em E4. E eu estava jogando lentamente. Provavelmente são os hacks ferrando o arquivo, eu pensei. Bom, que seja então... O jogo iniciou, e a primeira coisa que notei foi a tela preta prolongada. Demorou quase um minuto e não mudou nada, e não havia nenhum som. Os cabelos na parte de trás do meu pescoço já estavam de pé, mas já era tarde demais para voltar atrás.
Finalmente, um tipo de mapa veio na tela... Mas parecia estático. O que estava acontecendo? Olhei para baixo e percebi, com uma pontada terrível, que era realmente o mapa Mt. Silver... Mas o que eu achava ser estática era uma pesada tempestade de neve. Esse era o lugar que ele havia salvado seu jogo da última vez. Eu verifiquei sua party... Um time muito normal para alguém que estava usando gameshark: Typhlosion, Feraligatr, Meganium, Pidgeot, Tyranitar, Lugia, todos com nível 100... típico para ele. Algo sobre os sprites parecia... estranho. Eles pareciam irritados, de alguma forma. Suas cores pareciam desbotadas e suas expressões faltavam o vigor de costume. Pareciam faltar pixels ou coisas assim, talvez por causa dos hacks.
O mapa parecia brilhar quando eu fechei o menu. Na verdade, a neve, de alguma forma, parecia cair fortemente; pixels dançavam pela tela tão rápido que foi difícil ver onde o sprite do meu irmão estava. Alguma coisa estava fora dele, também. Quando chequei as informações dele, seu sprite estava como os dos Pokemons; as cores eram sem vida. Na verdade, agora que eu pensava sobre isso, ele quase parecia congelado.
Meu estômago apertou; eu me virei e tentei voltar para baixo da montanha. Quando fui a determinado local, algumas palavras apareceram, e lá estava, finalmente, um som - meu sprite começou a bater numa parede invisível.
"Eu não posso mais voltar atrás."
Isso era... Perturbador. Fui para meu Pokemon e tentei usar a habilidade "Fly" do Pidgeot.
"Eu não posso voar aqui!" obviamente, se referia a neve.
*** isso. Entrei em sua bag. Havia uma corda de escape, e tentei usá-la.
"Eu não posso mais voltar atrás."O que estava acontecendo? Mais uma vez, tentei caminhar de volta para baixo da montanha, e para meu espanto, as palavras alternavam a cada tentativa.
"Eu não posso fugir."
"Eu não posso voltar para baixo."
"Eu nunca poderei voltar."
Esta última me congelou o coração. Não havia nenhuma maneira de retornar para baixo da montanha. Eu tinha que subir. Virando o sprite um pouco, eu o mudei para frente.
Não havia nada, embora minha velocidade de caminhada estivesse estranhamente lenta. Realmente estranho foi a falta grama, de treinadores, não havia nada além da neve branca, tornando impossível ver qualquer coisa na tela. Como me movi para uma parte mais alta, sua velocidade de caminhada tornou-se ainda mais lenta. A cortina de pixels de estática tornou-se ainda mais espessa, e eu mal podia usar os recursos do mapa. Mas parece que a única forma de mudança é ir em frente mesmo. Eu alcancei um tipo de escadas na extremidade superior da tela. Não lembro disso estar lá antes. Como eu tentei me mover para cima, o sprite pausou.
"Estou com frio".
Eu havia ficado ainda mais arrepiada. Sua velocidade de caminhada se tornou dolorosamente lenta, como se alguma coisa estivesse impedindo. Ao subir a escada... Mais um texto na tela.
"Meganium morreu."Que **** é essa, pensei. Pokemon não morrem nestes jogos. Ao verificar minha party, e fiquei assustada e confusa com o que vi.O sprite de Meganium tinha sido substituído por um X vermelho. Os outros Pokemons ostentavam diferentes graus de dano, embora eu não tivesse lutado. Eu fui na minha bag e encontrei um único Reviver, e tentei usá-lo."É tarde demais", disse. Que tipo de Easter Egg é esse?
Não havia mais o que fazer... Ao tentar dar a volta, as mensagens de antes voltaram. Então eu continuei andando para frente.
"Pidgeot morreu."
Eu verifiquei novamente... Com certeza, lá estava o pequeno X vermelho. Dessa vez eu selecionei ele, olhando para o Pokemon em si, tentando descobrir o que estava errado... Eu não deveria ter feito isso. O sprite foi mutilado; pedaços dele estavam ausentes. O que restou foi uma mancha azul-acinzentada, e seus olhos estavam num preto sólido. Ao verificar Meganium, estava do mesmo jeito; faltando uma perna, um pedaço do seu pescoço, a maioria de sua cabeça e os olhos pretos, mortos.
A curiosidade mórbida me pedia para seguir em frente. Durante o tempo que caminhei, a estrada permanecia reta. Ao longo do caminho, de vez em quando, um outro Pokemon da parte "morria" e, ao analisar seu sprite, ele se mostrava na mesma condição que os outros. O que me restava era o Typhlosion. Em frente havia outra escada. Ao subí-la, me preparava para o horror que me esperava.
Eu bati o cume.
Ele estava deserto - Red estava longe de ser encontrado.
A neve parou de cair.
O centro do mapa era de algo fora da neve. Parecia uma pokebola. Ok, talvez esse horror todo fosse parte do clímax; a batalha final estava ali. Se eu a pegasse, talvez Red iria sair do esconderijo. Eu andei mais um pouco, examinando, e houve uma explosão de ruídos estáticos que me fez pular.
O que apareceu na tela foi uma animação de batalha. O sprite do meu treinador, a pele tingida de azul... Contra outro Pokemon desconfigurado.Era Celebi.No centro do um buraco negro que parecia seu olho, um único ponto vermelho queimava como uma brasa. Parecia algo podre. Eu nem tinha movido meu Typhlosion para fora.
"Celebi usou Perish Song".
Um grito saiu do meu GBA, e eu quase o deixei cair enquanto a tela ficava branca. Uma parte de mim ficou aliviada, pensando que, se meu Pokemon final foi KO, eu seria transportada para um Centro Pokemon... Mas eu estava errada. Meu sprite reapareceu num tipo de caverna; estava agora dentro da montanha? Eu verifiquei meu cartão de treinador e me senti mal. O sprite havia sido atacado, como um Pokemon, e agora estava sem uma perna. Um único olho restante, escuro como a noite e um olhar tão triste, com lágrimas no canto... E todas as cores dele haviam sido substituídas por aqueles tons de gelados de azul e cinza. Cada stat no cartão foi reduzido a 0, com exceção do tempo, que continuava 999:99.
Eu rapidamente voltei ao mapa. Seu sprite imitava o horror que estava em seu cartão de treinador; peças estavam em falta, tudo estava descolorido. Eu tentei andar, mas no começo recebi uma mensagem.
"É tão frio."
Havia apenas uma direção para ir: para cima. Eu segui em frente, e de vez em quando era interrompida por mensagens que faziam meu coração afundar mais e mais.
"Mãe..."
"É tão frio..."
"Eu não posso continuar..."
Quanto mais eu andava, mais tornava-se escuro, até que tudo estava completamente preto.
Havia uma saída lá, marcada apenas por um contorno branco. Eu não tinha escolha senão atravessá-la.
Era um tipo de quarto, também branco sólido... A única maneira de distinguir as paredes era por uma linha cinza e fina que marcava como separado do chão. Contra a parede oposta, havia um outro objeto. O sprite de Red. Intacto. Eu tinha chegado tão longe, eu precisava acabar com isso. Eu andei até ele e pressionei A.
"..."
Uma batalha começou.
O sprite de Red não tinha nenhuma das minhas deformidades. Suas cores também eram azuis e cinzas, mas ele estava intacto. Ele apenas olhou... Extremamente triste. Seu primeiro Pokemon saiu; Venusaur. Era exatamente como deveria ser, mas no nível 0, com pouca saúde. Mandei Typlosion, que tinha apenas 6 pontos de vida. Não houve nenhum tipo de som quando eles foram trazidos para a batalha.
"Venusaur usou Struggle!"
Não houve animação, apenas um único ponto de dano causado a Typhlosion e, em seguida, o sprite adversário caiu.
"Venusaur morreu!"
Não houve nenhum texto me pedindo para mudar. Em vez disso, era o que considerei um diálogo de Red.
"..."
Seu próximo Pokemon foi Blastoise, ainda mais desconfigurado que tinha sido Venusaur. Ele também lutou e morreu. Após cada rodada, havia um sinistro "..." do treinador. Cada sprite aparecia mais desconfigurado que o anterior; seu Espeon mal parecia um Pokemon. Eu percebi que ele os mandava fora de ordem, e que salvou um Pokemon para último...
Um Pikachu foi chamado, e ele era grotesco. Também era descolorido, como se estivesse congelado. Estava faltando uma orelha, metade do seu corpo e a cauda; a cabeça estava intacta na maior parte, mas seus olhos eram muito maiores que o normal, e olhava para mim como janelas para o inferno. Mas o que me deixava mais desconfortável era o sorriso gigante que se estendia até as bordas de sua cabeça. Minhas mãos tremiam. Eu não tive a oportunidade de atacar."Pikachu usou Pain Split."
"Pikachu morreu! Typhlosion morreu! "
Algo cortou a imagem do sprite do Red, e agora ele parecia como o meu. Seu corpo estava tão massacrado que parecia um cadáver despojado. Tinha os mesmos olhos desalmados do Pikachu.
Eu finalmente entendi o que aconteceu. Eles foram mortos. Eles foram mortos, e este subnível da montanha era como o inferno.
Red finalmente falou.
"Acabou."
A tela piscava em preto e branco durante algum tempo.
"Usado Destiny Bond!"
Um horrível gritou ecoou do meu GBA. A tela ficou branca e gritando para mim, eu o joguei no chão e apertei minhas costas contra a cama. O barulho horrível continuou por bastante tempo, enquanto a tela ficava branca.
Então escureceu.
Então houve um silêncio.
Levei alguns minutos, mas finalmente me levantei. Peguei o gameshark e o caderno de anotações. Tomei essa droga de jogo possuído. Peguei todos tudo e fui levá-los até o lixo, como já havíamos estabelecido ao coletor levá-lo pela manhã. No final da longa e enrolada calçada... Joguei dentro. Quando voltei para casa, eu não sei o que me fez fazer isto, mas eu peguei a versão Yellow e inseri no meu Game Boy. Acho que parte mim queria se certificar que não tinha sido contaminada também.
A música começou. O jogo iniciado. Virei-me para meu Pikachu e pressionei A. Seu rosto feliz cumprimentou-me com um grande sorriso, pixelizado. Um sorriso agradável e normal. Retirei o jogo, e passei a próxima hora chorando no chão. Meu irmão e eu nunca jogamos Pokemon juntos novamente - ele desistiu de vez. Eu continuei a repetir meu conforto: jogos sem hack.Naquele inverno, a neve caía espessa.
Existem varias Creepy Pastas na web sobre muitos games mas falaremos sobre as de Pokémon (Avá)
Snow on Mt. Silver
Então, meu irmão e eu meio que crescemos com Pokemon. Muitos garotos fizeram isso por aqui. Isso funcionou perfeitamente para nós, já que, cada vez que uma nova geração saia, um de nós recebia uma versão e um de nós recebia a outra. Visto que nossa mãe gostava de nos estragar um pouco, tínhamos um terceiro jogo. A princípio, isso vai soar como uma história agridoce sobre dois irmãos que crescem com um par de jogos que, eventualmente, irá levá-los para duas estradas diferentes... Bem, é um pouco mais do que isso.
Os anos se passaram e continuamos colecionando. Gameboys ficaram velhos; foram substituídos. Os cartuchos foram jogados fora, pegamos novas cópias. Mas começamos a seguir caminhos completamente diferentes antes de R/S/E sair. Veja bem, meu irmão passou a usar Gameshark. Tínhamos ouvido todos os hacks e cheats que você poderia imaginar, e como fazê-los, mesmo que começássemos o jogo um pouco mais tarde, isso soava legal.
Nosso primeiro cartucho era do meu irmão, uma versão Blue antiga. Nós apenas jogamos com ele um pouco, nada grave. Mas acabamos ferrando com o cartucho. Depois de adicionarmos dois códigos, ele estragou completamente e tornou-se impossível de jogar. Ficamos chateados no começo; meu irmão lamentava pela perda de suas horas de trabalho, e eu compreendia. Eu lhe disse: "Está tudo bem, podemos substituí-lo, eu acho. Gamesharks estúpidos são um desperdício de dinheiro."
Mas, a partir daqui, finalmente nossos caminhos se separaram. Depois da confusão que houve com a versão Blue, eu fiquei contra a ideia de usar hack ou cheat em meus jogos. (O que eu posso dizer? Eu sou uma pintinha, tenho sentimentos com os pequenos bichos de pixel.) Pelo menos com Gameshark. Mas meu irmão havia levado a destruição do seu jogo como um desafio pessoal ou algo assim, não acho que ele já tenha jogado algo sem hackear de alguma forma. Sim, nós jogamos uma *** de Pokemons, cara. Mas para nós não há muito o que fazer; vivemos em um lugar sem muitas crianças, e os agricultores não as querem em suas propriedades. Desta forma, nós jogamos Pokemon no gramado quase todo o dia, todos os dias. É divertido para nós, pelo menos.
Perdemos o Gameshark quando nós mudamos de quarto. Um novo anexo foi construído em nossa casa e ele desapareceu na bagunça da *** que entulhava dentro do novo closet.
R/S/E chegou, e depois de brincarmos algumas vezes, estávamos de acordo que tinha algo faltando nele, em comparação com a última geração. Nós estávamos tentando jogar de forma honesta, e apesar de termos terminado, nos deixou com uma boa e velha nostalgia. Onde estavam os nossos velhos cartuchos G/S/C? Demorou um mês para vasculharmos as caixas, mas finalmente encontramos uma porrada de jogos e aparelhos eletrônicos antigos: meu antigo Game Boy Color roxo ainda funcionada, o vermelho dele não estava com as baterias no lugar. Nossos GBAs estavam bem, as extensões e os cabos de ligação - aqueles com um pequeno conector no meio - estavam embrulhados cuidadosamente para evitar desgastes e serem condenado ao lixo, como nosso antigo cabo.
Nós pegamos tudo o que pudíamos. Foi tão bom ter Yellow (que tinha sido o meu primeiro jogo e o mais caro), Red e Gold de volta.Logo fomos verificar nossos arquivos antigos, tendo nossas velhas memórias, e percebemos que as coisas das primeiras gerações eram muito nostálgicas para nos livrarmos. Eu recomecei Gold, ele recomeçou Silver. Imediatamente, ele pegou o Gameshark na caixa e colocou-o na parte de trás do GBA. Eu apenas balancei a cabeça para ele. E lembro de ter dito:
- Essa coisa vai matar seu jogo, você sabe.
Ele nunca gostava quando eu pregava sobre o "abuso de pixels". Fechei minha boca depois disso, mas o deixei de lado. Eu achava que apenas uma vez era demais; eu deveria manter meus pensamentos para mim mesma, realmente...
Era dois dias depois do ocorrido. Eu estava na varanda, Game Boy na mão, prestes a ir para o E4, quando percebi que precisava de uma ajudinha. Minha equipe foi mal balanceada graças a minha jogabilidade voltada para lazer, e na época não tinha nenhum grande treinador que eu poderia recorrer a artifícios. Eu sabia que meu irmão tinha dois emblemas na minha frente quando tínhamos verificados um com o outro, então eu esperava que talvez ele me desse um ou dois empurrões.
Agora, a coisa foi que passei as últimas 24 horas na casa de uma amiga. Eu tinha, literalmente, chegado em casa, jogado minha mochila no quarto, e ido para fora com meu GBA para jogar. Eu não tinha ideia do que ele tinha feito. Eu soube que ele tinha feito um jogo novo e... O que imaginei. Era tudo melhor para mim, uma vez que ele não precisaria dos Pokemons e eu tinha uma chance maior. Então me levantei e fui para casa, e quando eu estava atravessando a sala, notei que todos os jogos estavam no chão. Alguns cartuchos estavam destroçados, como se tivessem sido cortados por alguma coisa afiada. Até a antiga versão Blue, há muito tempo morta e sentimental demais para se jogar fora, estava quase dividida no meio, completamente inutilizável - mais ainda se estivesse funcionando.
Fiquei um pouco assustada. Isso deveria ter acontecido esta manhã, caso contrário, nossa mãe teria visto e reclamaria sobre o tapete. Coloquei meu GBA no bolso e fui até o quarto do meu irmão, encontrando a porta destrancada. De alguma forma, isso foi ainda mais preocupante.
Eu encontrei meu irmão sentado na beira da cama. As peças do seu GBA estavam aos seus pés, esmagadas. Ao lado da cama, estava um martelo e a tesoura de jardinagem da nossa mãe. Seu rosto estava mais pálido que eu já havia visto, mais pálido do que da vez que tínhamos ido até a rua, e um cego louco tinha perseguido ele com uma espingarda. Neste momento, notei o gameshark no chão e um cartucho prateado brilhando sobre sua cama. De alguma forma, eles tinham sido poupados da ira do martelo.
- Você está bem? - perguntei. Lembro-me do calafrio que me percorreu. Ele era meu irmão mais novo, vê-lo assim foi horrível.
- Foi horrível, - eu me lembro de sua voz rouca, e a forma como ela soou me fez estremecer. - Oh Deus. Branco por toda parte, depois preto...
Lembro-me de tê-lo abraçado. E eu me lembro, seu braço caiu e foi de encontro ao Game Boy do meu bolso. Ele gritou de repente, bem no meu ouvido, me fazendo pular e morder minha língua por acidente. Ele o arrancou do meu bolso e o atirou na parede. Gritei e fui correndo buscá-lo, esperando não encontrá-lo amassado. A tela estava escura, e embora temesse o pior, quando liguei o interruptor, ele estava normal. Eu esperei lá no canto, tentando fingir que o GBA não importava o suficiente.
O volume estava ligado.
O tema de abertura começou, e ele gritou novamente, pegando o martelo. Dessa vez, eu também gritei, e sai correndo do quarto com o GBA agarrado ao meu corpo, como um escudo.
Ele acabou na ala psique do hospital durante dois dias. Quando fomos visitá-lo, deixei meu GBA em casa. Ninguém conseguia descobrir o que havia deixado seu comportamento estranho. Houve uma conversa que eu não entendia na época, sobre algum tipo de transtorno que ele pode ou não ter tido, mas apesar da minha mãe e eu termos coletado e trazido todos os cartuchos para serem olhados (a ideia foi dela, não minha), ninguém tinha pensado em ligá-lo ao jogo... Talvez essa foi minha culpa. Eu não havia dito uma palavra sobre o que tinha acontecido quando ele, acidentalmente, tocou no meu Game Boy. Ou o terror cego e branco que ele tinha sido atirado quando a música começou.
Em minha última visita ao hospital, antes das aulas, eu fui deixada sozinha no quarto com ele, quanto a minha mãe teve uma conversa privada com o médico sobre as precauções a serem tomadas, caso ocorra novamente. Eu sentei em uma cadeira ao lado da cama, ele estava olhando para o teto. De repente, ele sentou-se, fazendo-me estremecer.
- Hey, - ele me disse - Angie. Vá no meu quarto quando você chegar em casa.
Eu não entendi o que ele quis me dizer, e então lembrei das coisas que não tinhas nas malas... O jogo e os instrumentos de hack debaixo da cama.- Livre-se deles. Eu não quero tocar neles novamente.
Sua voz estava cansada e desesperada... Ele parecia um velho em seu leito de morte. Meu pobre irmão estava com problemas... Como eu poderia recusar?
- Promete que vai se livrar deles.
- Tudo bem. Eu prometo.
Pela tarde, eu estava saindo da escola. Eu mantive a promessa dele na minha cabeça o dia todo. Eu não sabia disso na época, mas esta seria a última vez que eu poderia desempenhar o papel de irmã mais velha e ajudá-lo. Eu só tinha que chegar em casa e me livrar desse jogo... Mas, do jeito que o dia foi, uma curiosidade doentia começou a passar pela minha cabeça. O que poderia ter acontecido nesse jogo para assustá-lo tanto? Eu estava assustada, eu mesma, mas eu tinha que saber. Eu tinha que fazer.
Cheguei em casa e fui direto para seu quarto, decidindo descobrir que tipo de horror estava esperando por mim. Mamãe tinha limpado o quarto, o cartucho e o gameshartk não estavam mais visíveis. Eu me abaixei e rastejei debaixo da cama, sentindo-me tímida, mas segurando a promessa que fiz. Debaixo da cama havia poeira suficiente para me fazer tossir, legos antigos e vários outros brinquedos que eu não poderia definir apenas esbarrando com meus cotovelos. Mas finalmente vi dois objetos. Eles tinham sido empurrados para o canto, em cima de um caderno que parecia novo demais para estar aqui há muito tempo. Sem pensar, agarrei o canto do papel e arrastei tudo comigo, ainda ofegante da poeira. (Alergia.)
Eles pareciam tão inocentes, brinquedos simples. Quando desvio a atenção para a versão Silver e o gameshark no chão, passei a olhar o caderno de anotações. Nele, foram rabiscados pelo menos vinte códigos diferentes, mas um tinha sido riscado com hidrocor sobre o local onde, inicialmente, tinha sido escrito com caneta. Isto foi confuso. Ele tinha tentado apagá-lo com o marcador, mas ele pressionou com tanta força que a tinta havia molhado a parte de trás. A caneta tem um jeito de furar ao redor, então eu peguei o caderno e inclinei a parte de trás na luz. O reflexo do hidrocor revelou alguns rabiscos que ele tinha escrito. O código era uma bagunça incompreensível de letras e números, e as palavras ao me deixaram ainda mais confusa.
"Easter Egg - Snow on Mt. Silver"
Lembrei-me do que ele tinha dito quando o encontrei... Ele ficou entusiasmado com branco, branco e em seguida, preto... Significaria neve? Mesmo que fosse Agosto e a temperatura continuasse subindo a "90 todos os dias (/nota de tradução: esse número está na escala fahrenheit, seria em torno de 32.2º celsius), um arrepio percorreu minha espinha. Será que me atrevo...?
Peguei tudo, levei para o meu quarto e deitei-me no tapete, ao lado dos meu próprio GBA. Por um longo tempo, eu apenas olhava para ele. Quanto mais eu olhava, mais o rosto do Lugia tornava-se maníaco... Como uma espécie de sorriso torcido, como se estivesse me desafiando a descobrir o que havia acontecido com meu irmão. Eu era uma garota de 14 anos. Será que eu realmente deveria arriscar a sorte e acabar como ele? Eu olhei para o Lugia por mais algum tempo.
Eu tinha que ver.
Retirei o Gold do meu GBA e encaixei o Silver no lugar. Levei quase 15 minutos para recompor e ligá-lo.
Começou a funcionar normalmente. Deixei o som baixo, com medo do que poderia ouvir, e muito curiosa para seguir caminho. A tela do título estava normal, também. Lugia novamente, mas, de alguma forma, estava ameaçador - apesar do meu bom senso me dizer que era exatamente a mesma imagem. Como isso poderia ser ruim? Perguntei a mim mesma. Suas notas diziam Easter Egg. Quer dizer que estava programado no jogo?
O menu veio... Absolutamente normal. Seu personagem era Blake, como dizia o pokedex... Mas o tempo era estranho. 999:99. Eu sabia que ele não poderia ter feito tanto tempo, eu mal tinha registrado 50 horas no meu próprio jogo e estava em E4. E eu estava jogando lentamente. Provavelmente são os hacks ferrando o arquivo, eu pensei. Bom, que seja então... O jogo iniciou, e a primeira coisa que notei foi a tela preta prolongada. Demorou quase um minuto e não mudou nada, e não havia nenhum som. Os cabelos na parte de trás do meu pescoço já estavam de pé, mas já era tarde demais para voltar atrás.
Finalmente, um tipo de mapa veio na tela... Mas parecia estático. O que estava acontecendo? Olhei para baixo e percebi, com uma pontada terrível, que era realmente o mapa Mt. Silver... Mas o que eu achava ser estática era uma pesada tempestade de neve. Esse era o lugar que ele havia salvado seu jogo da última vez. Eu verifiquei sua party... Um time muito normal para alguém que estava usando gameshark: Typhlosion, Feraligatr, Meganium, Pidgeot, Tyranitar, Lugia, todos com nível 100... típico para ele. Algo sobre os sprites parecia... estranho. Eles pareciam irritados, de alguma forma. Suas cores pareciam desbotadas e suas expressões faltavam o vigor de costume. Pareciam faltar pixels ou coisas assim, talvez por causa dos hacks.
O mapa parecia brilhar quando eu fechei o menu. Na verdade, a neve, de alguma forma, parecia cair fortemente; pixels dançavam pela tela tão rápido que foi difícil ver onde o sprite do meu irmão estava. Alguma coisa estava fora dele, também. Quando chequei as informações dele, seu sprite estava como os dos Pokemons; as cores eram sem vida. Na verdade, agora que eu pensava sobre isso, ele quase parecia congelado.
Meu estômago apertou; eu me virei e tentei voltar para baixo da montanha. Quando fui a determinado local, algumas palavras apareceram, e lá estava, finalmente, um som - meu sprite começou a bater numa parede invisível.
"Eu não posso mais voltar atrás."
Isso era... Perturbador. Fui para meu Pokemon e tentei usar a habilidade "Fly" do Pidgeot.
"Eu não posso voar aqui!" obviamente, se referia a neve.
*** isso. Entrei em sua bag. Havia uma corda de escape, e tentei usá-la.
"Eu não posso mais voltar atrás."O que estava acontecendo? Mais uma vez, tentei caminhar de volta para baixo da montanha, e para meu espanto, as palavras alternavam a cada tentativa.
"Eu não posso fugir."
"Eu não posso voltar para baixo."
"Eu nunca poderei voltar."
Esta última me congelou o coração. Não havia nenhuma maneira de retornar para baixo da montanha. Eu tinha que subir. Virando o sprite um pouco, eu o mudei para frente.
Não havia nada, embora minha velocidade de caminhada estivesse estranhamente lenta. Realmente estranho foi a falta grama, de treinadores, não havia nada além da neve branca, tornando impossível ver qualquer coisa na tela. Como me movi para uma parte mais alta, sua velocidade de caminhada tornou-se ainda mais lenta. A cortina de pixels de estática tornou-se ainda mais espessa, e eu mal podia usar os recursos do mapa. Mas parece que a única forma de mudança é ir em frente mesmo. Eu alcancei um tipo de escadas na extremidade superior da tela. Não lembro disso estar lá antes. Como eu tentei me mover para cima, o sprite pausou.
"Estou com frio".
Eu havia ficado ainda mais arrepiada. Sua velocidade de caminhada se tornou dolorosamente lenta, como se alguma coisa estivesse impedindo. Ao subir a escada... Mais um texto na tela.
"Meganium morreu."Que **** é essa, pensei. Pokemon não morrem nestes jogos. Ao verificar minha party, e fiquei assustada e confusa com o que vi.O sprite de Meganium tinha sido substituído por um X vermelho. Os outros Pokemons ostentavam diferentes graus de dano, embora eu não tivesse lutado. Eu fui na minha bag e encontrei um único Reviver, e tentei usá-lo."É tarde demais", disse. Que tipo de Easter Egg é esse?
Não havia mais o que fazer... Ao tentar dar a volta, as mensagens de antes voltaram. Então eu continuei andando para frente.
"Pidgeot morreu."
Eu verifiquei novamente... Com certeza, lá estava o pequeno X vermelho. Dessa vez eu selecionei ele, olhando para o Pokemon em si, tentando descobrir o que estava errado... Eu não deveria ter feito isso. O sprite foi mutilado; pedaços dele estavam ausentes. O que restou foi uma mancha azul-acinzentada, e seus olhos estavam num preto sólido. Ao verificar Meganium, estava do mesmo jeito; faltando uma perna, um pedaço do seu pescoço, a maioria de sua cabeça e os olhos pretos, mortos.
A curiosidade mórbida me pedia para seguir em frente. Durante o tempo que caminhei, a estrada permanecia reta. Ao longo do caminho, de vez em quando, um outro Pokemon da parte "morria" e, ao analisar seu sprite, ele se mostrava na mesma condição que os outros. O que me restava era o Typhlosion. Em frente havia outra escada. Ao subí-la, me preparava para o horror que me esperava.
Eu bati o cume.
Ele estava deserto - Red estava longe de ser encontrado.
A neve parou de cair.
O centro do mapa era de algo fora da neve. Parecia uma pokebola. Ok, talvez esse horror todo fosse parte do clímax; a batalha final estava ali. Se eu a pegasse, talvez Red iria sair do esconderijo. Eu andei mais um pouco, examinando, e houve uma explosão de ruídos estáticos que me fez pular.
O que apareceu na tela foi uma animação de batalha. O sprite do meu treinador, a pele tingida de azul... Contra outro Pokemon desconfigurado.Era Celebi.No centro do um buraco negro que parecia seu olho, um único ponto vermelho queimava como uma brasa. Parecia algo podre. Eu nem tinha movido meu Typhlosion para fora.
"Celebi usou Perish Song".
Um grito saiu do meu GBA, e eu quase o deixei cair enquanto a tela ficava branca. Uma parte de mim ficou aliviada, pensando que, se meu Pokemon final foi KO, eu seria transportada para um Centro Pokemon... Mas eu estava errada. Meu sprite reapareceu num tipo de caverna; estava agora dentro da montanha? Eu verifiquei meu cartão de treinador e me senti mal. O sprite havia sido atacado, como um Pokemon, e agora estava sem uma perna. Um único olho restante, escuro como a noite e um olhar tão triste, com lágrimas no canto... E todas as cores dele haviam sido substituídas por aqueles tons de gelados de azul e cinza. Cada stat no cartão foi reduzido a 0, com exceção do tempo, que continuava 999:99.
Eu rapidamente voltei ao mapa. Seu sprite imitava o horror que estava em seu cartão de treinador; peças estavam em falta, tudo estava descolorido. Eu tentei andar, mas no começo recebi uma mensagem.
"É tão frio."
Havia apenas uma direção para ir: para cima. Eu segui em frente, e de vez em quando era interrompida por mensagens que faziam meu coração afundar mais e mais.
"Mãe..."
"É tão frio..."
"Eu não posso continuar..."
Quanto mais eu andava, mais tornava-se escuro, até que tudo estava completamente preto.
Havia uma saída lá, marcada apenas por um contorno branco. Eu não tinha escolha senão atravessá-la.
Era um tipo de quarto, também branco sólido... A única maneira de distinguir as paredes era por uma linha cinza e fina que marcava como separado do chão. Contra a parede oposta, havia um outro objeto. O sprite de Red. Intacto. Eu tinha chegado tão longe, eu precisava acabar com isso. Eu andei até ele e pressionei A.
"..."
Uma batalha começou.
O sprite de Red não tinha nenhuma das minhas deformidades. Suas cores também eram azuis e cinzas, mas ele estava intacto. Ele apenas olhou... Extremamente triste. Seu primeiro Pokemon saiu; Venusaur. Era exatamente como deveria ser, mas no nível 0, com pouca saúde. Mandei Typlosion, que tinha apenas 6 pontos de vida. Não houve nenhum tipo de som quando eles foram trazidos para a batalha.
"Venusaur usou Struggle!"
Não houve animação, apenas um único ponto de dano causado a Typhlosion e, em seguida, o sprite adversário caiu.
"Venusaur morreu!"
Não houve nenhum texto me pedindo para mudar. Em vez disso, era o que considerei um diálogo de Red.
"..."
Seu próximo Pokemon foi Blastoise, ainda mais desconfigurado que tinha sido Venusaur. Ele também lutou e morreu. Após cada rodada, havia um sinistro "..." do treinador. Cada sprite aparecia mais desconfigurado que o anterior; seu Espeon mal parecia um Pokemon. Eu percebi que ele os mandava fora de ordem, e que salvou um Pokemon para último...
Um Pikachu foi chamado, e ele era grotesco. Também era descolorido, como se estivesse congelado. Estava faltando uma orelha, metade do seu corpo e a cauda; a cabeça estava intacta na maior parte, mas seus olhos eram muito maiores que o normal, e olhava para mim como janelas para o inferno. Mas o que me deixava mais desconfortável era o sorriso gigante que se estendia até as bordas de sua cabeça. Minhas mãos tremiam. Eu não tive a oportunidade de atacar."Pikachu usou Pain Split."
"Pikachu morreu! Typhlosion morreu! "
Algo cortou a imagem do sprite do Red, e agora ele parecia como o meu. Seu corpo estava tão massacrado que parecia um cadáver despojado. Tinha os mesmos olhos desalmados do Pikachu.
Eu finalmente entendi o que aconteceu. Eles foram mortos. Eles foram mortos, e este subnível da montanha era como o inferno.
Red finalmente falou.
"Acabou."
A tela piscava em preto e branco durante algum tempo.
"Usado Destiny Bond!"
Um horrível gritou ecoou do meu GBA. A tela ficou branca e gritando para mim, eu o joguei no chão e apertei minhas costas contra a cama. O barulho horrível continuou por bastante tempo, enquanto a tela ficava branca.
Então escureceu.
Então houve um silêncio.
Levei alguns minutos, mas finalmente me levantei. Peguei o gameshark e o caderno de anotações. Tomei essa droga de jogo possuído. Peguei todos tudo e fui levá-los até o lixo, como já havíamos estabelecido ao coletor levá-lo pela manhã. No final da longa e enrolada calçada... Joguei dentro. Quando voltei para casa, eu não sei o que me fez fazer isto, mas eu peguei a versão Yellow e inseri no meu Game Boy. Acho que parte mim queria se certificar que não tinha sido contaminada também.
A música começou. O jogo iniciado. Virei-me para meu Pikachu e pressionei A. Seu rosto feliz cumprimentou-me com um grande sorriso, pixelizado. Um sorriso agradável e normal. Retirei o jogo, e passei a próxima hora chorando no chão. Meu irmão e eu nunca jogamos Pokemon juntos novamente - ele desistiu de vez. Eu continuei a repetir meu conforto: jogos sem hack.Naquele inverno, a neve caía espessa.
Lost Silver
Você vê, eu sou um estudante universitário simples que vive sozinho em um apartamento. Fiquei muito entusiasmado com o lançamento de Pokemon HeartGold / SoulSilver aqui nos Estados Unidos. Eu propositalmente me tranquei para fora de todos os meios de comunicação e da internet de lado para fins escolares. Isso significa que não 4chan, não / v /, sem Desciclopédia, etc
Como eu estava ocupado com o ano escolar e ser pobre na época, eu não era capaz de comprar SoulSilver em sua data de lançamento. Depois do meu ano letivo terminou, eu pedi SoulSilver na Amazônia. No entanto, ele levaria uma semana para chegar. Eu decidi que durante esse tempo, eu iria repetir a minha versão de cristal no meu GameBoy Color.
No entanto, percebi que há muito tempo atrás, minha mãe jogou fora porque eu disse a ela que as defesas foram mortos, e fiquei muito chateado com isso então. Ela também jogou fora a minha versão de prata, então tudo que eu tenho é o meu GameBoy Color. Como tal, eu me propus a Gamestop e comprei uma versão de prata utilizado, pois é o único jogo Pokemon deixou que eles têm para o GBC. Dez dólares - razoavelmente barato.
Fui para casa e começou-se para uma viagem de nostalgia. No entanto, é aí que as coisas começaram a ficar bizarro, e muito provavelmente a razão pela qual você lê este.
O logotipo Gamefreak iniciado como normal, mas ele simplesmente congelou lá. Eu pensei que o carro estava com erro ou algo assim, então eu desliguei e sobre. A mesma coisa aconteceu. Tentei pressionar A e começar de novo e de novo, e todos os botões. Eventualmente, o logo desapareceu e lá estava uma tela preta por cerca de cinco segundos. De repente, ao invés de ir para a tela do menu de costume, eu já estava no jogo em um arquivo salvo anterior, o que era estranho como eu estava esperando todos esses carrinhos de ter sido dizimado pela bateria fraca. De qualquer forma, eu não estava reclamando, como eu teria escolhido a opção "Continuar" para ver o que o anterior fez cara de qualquer maneira.
Em primeiro lugar, eu chequei suas informações trainer. Seu nome era apenas "..." - Ele não tem muita originalidade.
Eu chequei o perfil dele e, aparentemente, ele tinha 999:99 horas colocadas no jogo, com todas as 16
emblemas, 99.999,9 Pokedollars, e todos os 251 Pokemon no Pokedex.
Vendo como ele aparentemente tinha Mew e Celebi registrado também, estou supondo que ele seja usado um Game Genie ou foi realmente incondicional Pokemon jogador de volta em seguida.
Eu verifiquei seus Pokemon para ver o que a equipe foda que ele tem. Para minha surpresa, vi 5 Unowns e uma sexta Pokemon chamado "PRESSA". Eu estou pensando que isso deve ser alguma piada cruel da pessoa que jogou pela última vez neste jogo, mas eu decidi verificar os perfis desses Pokemon de qualquer maneira. Como esperado, eles eram diferentes letras de Unown, todos Nível 5. Eu estava um pouco abalada com o meu alfabeto Unown no momento, mas identificou a palavra soletrada para fora para ser "SAIR".
Quanto às sexta Pokemon, que acabou por ser um Cyndaquil (lembre-se, isto é, antes havia individualizadas ícones Pokemon). O Cyndaquil parecia normal, mas era nível 5, com apenas 1 HP deixou com apenas dois ataques: "Leer" e "Flash". Eu não sei por que o nomeou "PRESSA", mas, no momento, eu só ignorou isso. A coisa mais estranha foi que, apesar de meu volume estar no máximo, nenhum dos Pokemon ele havia dito seus gritos habituais. Apenas puro silêncio.
Ter o suficiente da equipe, eu fechei. Eu estava estacionado no que parece ser uma sala dentro da torre Bellsprout.No entanto, por algum motivo, não houve cerca de NPCs. Ainda mais estranho foi que o "pilar" no meio não se mexia em tudo, como se apenas apoiado em seu lado. Não havia música em tudo, e não havia nenhuma saída ou escada, ou pelo menos eu achava que não era.
Eu andei por alguns minutos, mas não consigo encontrar uma maneira de sair. Este não era, certamente, uma sala que eu vi na Torre Bellsprout antes. Eu tentei verificar meus itens para um Escape Rope, mas o saco estava completamente vazio. Não havia nenhum Pokémon selvagens tanto.
Finalmente, eu consegui encontrar uma escada, que acabou por estar por trás do "pilar". A tela ficou preta ea música finalmente começou a tocar. Eu tive um súbito arrepio, como eu reconheço que a melodia que ouvi ser o tema que você ouve quando ouvia o rádio nas Ruínas Alph onde o Unown estão.
Eu imediatamente perceber que não foi uma transição de carga, mas eu estava em um quarto escuro e precisa Flash. Antes que eu tomei o cuidado de que, porém, eu imediatamente verifiquei meu Pokégear para mudar o rádio para algo mais agradável, mas verifica-se que não havia nenhuma placa de rádio, ou mesmo um telefone nem tempo cartões. Havia apenas um cartão Mapa em que Gold ("..." de antes, e eu vou chamá-lo de ouro a partir de agora) estava apenas caminhando em um meio de preto.
Lembro-me que Cyndaquil tem Flash, então eu desliguei meu Pokégear e fez uso Cyndaquil Flash. Eu não vejo nenhuma mensagem dizendo "PRESSA usou flash!" Ou qualquer coisa assim. A sala tornou-se apenas iluminado assim mesmo, e eu logo me arrependi. O quarto era um vermelho-sangue frio com um título sul trajeto cinzento linear. A escada que eu usei para ir para cima / baixo não estava lá.
Eu não tinha escolha senão ir para o sul. A tela ficou mais escura a cada 20 passos que eu fiz, até que finalmente chegou ao fim, o que parece ser um sinal. Eu li o sinal, que disse que "voltar atrás".
De repente, me pediram para responder SIM / NÃO, mas não havia nenhuma pergunta. Eu escolhi SIM, como eu não sei o que ele estava pedindo, ea tela ficou preta novamente, fazendo uma "escada subiu" de som. A Rádio Unown música parou, e em poucos segundos foi substituído com o não-tão-assustador puxão Flauta música de rádio.
Eu estava em outra sala escura, mas eu segurei minha respiração e usou o Flash novamente. De repente, ele disse que "PRESSA desmaiou", o que era estranho, já que eu me lembro que não havia condições de status como veneno para ele, e eu claramente não estava em uma batalha. Eu chequei meus Pokemon rapidamente e de repente ele não está mais na minha festa. Na verdade, depois de um pouco de investigar, nenhum dos meus Pokemon estão lá, mas todos substituídos com Nível 10 Unown. Eu fiz a mesma coisa que antes e explicou o Unown. Minha equipe depois de Unown escrito "HEDIED".
De qualquer forma, após essa mudança assustador, o quarto estava acesa para me revelar em uma pequena sala que parece ser apenas quatro quadrados grande. As paredes da sala eram de tijolos cinza, como se eu estivesse dentro de algo que foi escavado. Fora que a sala parece ser um monte de túmulos semelhantes aos em Pokémon Red / azul. Eu andei em torno dessa pequena sala e apertou um, mas nada aconteceu.
Eu já concluiu que este era claramente um jogo hackeado e alguns foda sádico vendeu a GameStop. No entanto, a minha curiosidade me manteve. Eu chequei o perfil de treinador "..." novamente apenas para descobrir que o sprite de Ouro estava faltando seus braços. Ele também parece surgir menos presunçoso, mas parece mais triste e vazio de uma maneira que eu não sei como descrever. Por alguma razão, ele também disse que agora que ele tem 24 emblemas, o que era claramente impossível.
Depois de alguns minutos sem rumo pensando, meu personagem de repente girou e fez o Escape Rope girando animação. Em vez de voar para cima, porém, o meu personagem virou para baixo lentamente, como se estivesse afundando.
Depois que a tela, a música parou. Depois, finalmente, o desembarque, o sprite overworld de Ouro é colorido diferente agora. Em vez da cor vermelha de costume, ele veste, ele aparece completamente branco agora, incluindo sua pele. É como se ele veio direto dos jogos de Game Boy incolores colocados em um fundo colorido do Game Boy Color. Eu chequei seu perfil, e agora, enquanto agora é branco como o seu Sprite mundo superior, ele perdeu as pernas e tem o que parece ser lágrimas de sangue de seus olhos. Ele também diz que ele agora tem 32 emblemas, que agora começa a me perturbar como esta mudança de número parece representar algo importante.
Também chequei meus Pokemon, que desta vez contém 5 Unowns e um nível de 100 Celebi sem um apelido. O Unown estão neste momento Leveled 15 e enunciados "morrer". Eu chequei o perfil do Celebi. Foi um Celebi brilhante, exceto que não é apenas a metade do objeto. Uma perna, um braço, um olho. Ele só tem um ataque: "Perish Song".
A área que eu estava em si foi o Sprout Torre com o pilar imóvel como antes, exceto que tudo está aparentemente vermelho agora. Eu andei para o norte para o que parecia uma eternidade. Eventualmente, eu finalmente encontrei alguns homens e mulheres genéricos NPC. Eles estavam todos alinhados para o lado apenas de frente para o pilar slantish longo no meio. Eles também eram brancos, e não acontece nada quando eu tento falar com eles. Eu continuei indo para o norte até que finalmente o pilar finalmente aparece cortada, com um Red transparente nesse ponto. Fui até Vermelho e, mesmo sem pressionar A, de repente eu estava engajada e, finalmente, em uma batalha.
A música começa de novo, o que parece que o rádio de música Unown novamente, mas jogou para trás. Backsprite batalha de ouro corresponde a uma frente com os olhos de sangue, pele branca, e da falta de braços, enquanto o duende da Red era o mesmo que antes, em GSC, exceto transparente. O texto simplesmente disse "quer para a batalha!", Como se ele não tem nome, e nós dois só tem um Pokemon cada um, o que é estranho como eu jurei que tinha seis com os Unowns. Meu brilhante Celebi saiu, convenientemente com meia-um-sprite para o sprite de volta também. O barulho "brilhante" e animação era diferente, como os sons que fez soar como múltiplos ataques "corujinha" usados consecutivamente. Red enviou um Pikachu macho aparentemente normal, exceto que ele é nível 255 e seu duende parece triste e tem lágrimas nos olhos.
Ao invés de o menu usual "RUN LUTA / ITEM / PKMN /", eu estava apenas a opção de usar os ataques. Desde Celebi só tem um, que eu escolhi. Naturalmente, uma vez que Pikachu foi o nível 255, ele foi primeiro.
"PIKACHU usado MALDIÇÃO!", Baixando a velocidade e aumentando seus outros Stats. Eu nem tenho certeza se Pikachu poderia usar Curse.
! "Celebi usado Perish Song" Em três turnos, ambos Pokemon ficar KO - não como se eu tivesse uma escolha.
Neste ponto, nem sequer voltar para o menu de luta, como a batalha apenas continuou sem mim. Observe também que não houve animações em tudo, por algum motivo.
"PIKACHU usado FLAIL!", Que não fez muito dano, apesar de seu nível e aumentar a sua saúde foi maximizado.
"Celebi usado Perish Song!" Nada acontece, uma vez que já foi usado.
"PIKACHU usado FRUSTRAÇÃO!", Que fez uma merda tonelada de danos, batendo Celebi para menos de 10 HP.
"Celebi usado Dor de Split", o que me surpreendeu como Celebi nem sequer tem o ataque em primeiro lugar. Agora Celebi e Pikachu tem cerca de 150 HP.
"PIKACHU usado Mean Look!" Não como nada que fiz.
Como era esperado, devido aos efeitos do Perish Song, meu Celebi desmaiou. Exceto no texto, ele disse: "Celebi morreu!" E em vez de a queda normal fora a animação da tela, o Celebi backsprite simplesmente desapareceu. Por alguma razão, o Pikachu ainda estava de pé, mesmo com Perish Song e não contar como minha perda.
Pi kachu usado um ataque mais diferente além do limite de ataque 5:
"PIKACHU usado BOND destino!"
Depois, ele disse: "PIKACHU morreu!", Com uma animação fade-out lento. Aparentemente, eu era o vencedor, como o Sprite Red transparente apareceu e disse: ".........."
Naquele momento, eu me assustei, como que transparente Red sprite foi decapitado repente, deixando nada além de seu corpo transparente. A batalha terminou, então nesse ponto e desapareceu junto com a música.
Estou de volta ao mundo superior, com outra mudança para o sprite ouro - ele agora é tão transparente quanto overworld sprites do Vermelho. Eu rapidamente verificado o perfil de Ouro, onde desta vez a única coisa que resta dele é a cabeça, com uma pele transparente. A cabeça foi ampliada um pouco, mostrando um vazio negro em seus olhos. Ele agora afirma que ele tem agora 40 emblemas. Eu, então, recuou e verifiquei meus Pokemon. Estavam todos Nível 20 Unown brilhante, que quando enunciados, leia "NOMORE".
Eu era o que eu sei agora é próximo ao final. Não houve aparentemente nenhuma música tocando, mas por algum motivo eu ainda me sentia como se algo estivesse lá que poderia ser ouvido. Eu estava no meu quarto em New Bark Town. Talvez eu finalmente começar a jogar este jogo corretamente, mas quem sou eu brincando. Eu sabia que porra sádico deve ter feito alguma coisa. I "andou" em volta do meu quarto para interagir com as coisas, como eu tenho um pouco de medo de descer as escadas para ver o que estava esperando lá embaixo. Note que eu disse "andou", pois enquanto o fundo estava se movendo, o ouro não estava se movendo seus membros transparentes em tudo ao fazê-lo, apenas flutuando como os fantasmas que você vê em Diamond / Pearl.
Como esperado, o rádio, o computador ea TV não funcionou, então eu não tinha escolha, mas para descer as escadas. Acabei no mesmo nível inferior sala da minha casa. Tudo parece normal, exceto a mãe não está em casa. Depois de não conseguir interagir com qualquer coisa nesta sala, eu decidi ir para fora. Para minha surpresa, a porta que leva para fora no sul não funcionou, e ao invés disso eu só andar em linha reta através dele para um vazio. Eu continuei indo para o sul para ver o que diabos estava acontecendo. Minha casa desaparece como eu dirigir para o sul para o vazio. Era assustador como quando entrei no vazio, o contorno em transparente duende do ouro virou branco para contrastar com o tom preto. Eventualmente, cheguei a uma área branca e Sprite de ouro ficou preto e transparente novamente. Eu continuei sul sem pensar em parar de todo.
Depois de uma longa viagem ao sul, eu finalmente encontrei algo. Foi Sprite regulares de OURO. Eu conversei com ele. Ele disse: "Adeus para sempre ...." (nomeadamente com um espaço inbetween o sempre e ....), e desapareceu. Como isso aconteceu, ele disse: "?? PESADELO usado ", que naquele momento, eu não iria negar que seja possível. Ouro foi outra animação Escape Rope girando lentamente para baixo como antes.
Agora estou de volta para que a pequena sala oca cercada por túmulos mais cedo. Ou pelo menos eu digo que eu estava lá, como não há Sprite mais. Tentei andar por aí, mas nada se movia - nem mesmo parede batendo ruído.Eu chequei meu perfil treinador com absolutamente nenhum duende esquerda Ouro. Ele disse que eu tenho 0 emblemas e todas as fotos dos Líderes de Ginásio de Johto, na parte inferior foram substituídos por caveiras.
Eu chequei meus Pokemon, que foram todos Nível 25 Unown. Como esperado, enunciados de uma frase que me atrevi a ler: "IMDEAD".
Assim que eu voltei para o mundo superior, o quarto que eu supostamente estava em foi então coberto com os mesmos blocos como as paredes. Então eu descobri o que exatamente naquele quarto foi quando o texto final foi dito: "RIP ..."
Aquele quarto era um grande túmulo, cercado por outros túmulos. Ouro já foi morto. Ele morreu presumivelmente poucos anos depois ele derrotou Vermelho.
Ele era um jovem treinador que, apesar de seus esforços para recolher tantos emblemas e as tentativas de se tornar um mestre Pokémon, ainda não foi capaz de evitar o destino inevitável da morte, e seus esforços foram eventualmente esquecidos pela geração seguinte.
--------------------------------------------
Não sei o titulo
Durante os primeiros dias desde o lançamento de Pokemon Red e Green no Japão, no dia 27 de fevereiro de 1996, houve um aumento substancial nas mortes de adolescentes entre 10 e 15 anos.
As crianças eram geralmente encontradas mortas por suicídio, quase sempre pulando de alturas vertiginosas. Algumas, no entanto, foram ainda mais bizarras. Em alguns casos crianças serraram seus lábios, outros colocaram o rosto dentro do forno ligado, e umas poucas asfixiaram-se enfiando o braço na própria garganta.
Aquelas que foram salvas antes de cometerem suicídio, mostraram um comportamento disperso e aleatório. Quando questionadas sobre o porquê de tentarem se machucar, elas apenas respondiam em gritos caóticos e tentavam arrancar os próprios olhos. Uma das poucas ligações lógicas entre os casos, era o GameBoy. Elas não costumavam falar nada, mas quando alguém mecionava sobre Red ou Green, os gritos surgiriam e elas fariam qualquer coisa para deixar o quarto onde estavam.
As autoridades confirmaram que os jogos suspeitos tinham, de alguma forma, uma conexão com as mortes. Era um caso estranho, por que muitas crianças que possuíam o mesmo jogo não mostravam nenhum comportamento anormal. A polícia não tinha escolha além de seguir esta pista, já que não contavam com outra alternativa.
Coletando todos os cartuchos que as crianças haviam comprado, eles selaram e guardaram tudo, como forte evidência para futuras referências. Decidiram primeiramente falar com os próprios programadores. A pessoa com quem falaram foi o diretor dos jogos originais, Satoshi Taijiri. Quando informado sobre as mortes por trás dos jogos, ele parecia um pouco desconfortável, mas não admitia nada. Ele conduziu os policiais aos principais programadores do jogo, pessoas responsáveis pelo conteúdo.
Os detetives conheceram Takenori Oota, um dos chefes da programação. Direfentemente de Satoshi, ele não parecia desconfortável - apenas muito conservado - explicando que era impossível usar algo como um jogo para causar tantas mortes, também utilizando o argumento de que nem todas as crianças foram afetadas, ele culpou o incidente a algum tipo de coincidência excêntrica, ou histeria em massa. Ele parecia estar escondendo algo, mas não dava chances para suspeitas. Finalmente disse algo interessante.
Takenori ouviu um rumor sobre a música de Lavender Town, um dos lugares no jogo que acabou deixando algumas crianças doentes. Era o único rumor que não tinha explicação.
Ele direcionou os detetives a Junichi Masuda, o compositor das músicas da série. Masuda também ouviu os boatos, mas novamente afirmou que não havia evidência de que sua música era a causa. Para comprovar, ele tocou exatamente o som do jogo e demonstrou que nem os detetives nem ele próprio sentiram algo estranho: a música não afetou ninguém. Apesar de ainda terem suspeitas em Masuda e sua música de Lavender, parecia que chegaram a mais um beco sem saída.
Voltando para os cartuchos que apreenderam das casas das crianças, eles decidiram olhar os jogos mais diretamente. Viram os nomes dos personagens, geralmente "Red", ou outro nome simples, no entanto, o interessante estava no tempo jogado e o número de Pokemons que eles haviam capturado. Os investigadores chegaram à estonteante percepção de que não foi a música de Lavender que causou tantos efeitos maléficos nas crianças, era impossível chegar àquela parte do jogo em tão pouco tempo e com apenas um Pokemon em seu inventário. Isso levou-os a concluir que algo no início do jogo tinha que ser o responsável.
Se não era a música, deveria ser algo dentro dos primeiros minutos do jogo. Eles não possuíam escolha além de deixar os jogos de lado e voltar aos programadores. Pedindo uma lista de toda a equipe para Takenoshi, eles descobriram que, surpreendentemente, um daqueles programadores tinha cometido suicídio logo após a liberação do jogo. Seu nome era Chiro Miura, um homem muito obscuro que contribuiu com pouco para o jogo. Mais interessante ainda, ele pediu que seu nome não aparecesse nos créditos do jogo e assim foi feito.
Procurando por evidências no apartamento de Chiro, eles encontraram muitas anotações em marcador permanente. A maioria estava amassada ou riscada, dificultando a leitura. As poucas palavras que eles conseguiram encontrar na bagunça eram "Não entre", "Cuidado" e "VENHA, SIGA-ME" em negrito. Os detetives não sabiam ao certo que isto significava, mas sabiam que tinha alguma ligação. Pesquisando mais, descobriram que Chiro era grande amigo de um dos designers de mapas, Kohji Nisino. Desde a morte do amigo, ele havia se trancado em seu apartamento, saindo raras vezes durante a noite para buscar algo que poderia precisar. Ele disse aos amigos e familiares que estava em luto pelo seu amigo Chiro, mas não fazia muito sentido, já que os relatos indicavam que ele se trancou pouco antes de Chiro se matar.
Foi complicado, mas as autoridades finalmente persuadiram Nisino a falar. Parecia que ele não havia durmido há dias, com anéis escuros embaixo dos olhos. Ele fedia, suas unhas cresciam sujas e seu cabelo estava oleoso, grudando na testa e nuca. Falava em murmúrios, mas pelo menos tinha algo a dizer. Quando questionado se sabia de alguma coisa sobre as crianças que morreram depois de serem expostas ao jogo e como isso teria conexão, ele respondia cautelosamente, escolhendo bem suas palavras antes de responder. Disse que seu amigo Cirno teve uma idéia interessante para o jogo: algo que ele queria tentar desde que ouviu que o projeto estava começando. Nisino conhecia Takenori, o diretor e programador principal, há muito tempo, então ele poderia facilmente colocar um programador medíocre no projeto com um pouco de persuasão. Chiro convenceu Nisino a colocá-lo no projeto.
Nissino, durante toda a conversa, parecia ficar mais arrasado a cada pergunta. Os detetives forçavam-no mais e mais, procurando totalmente em sua mente por qualquer rascunho de conhecimento que este homem teria sobre o jogo e as intenções de Chiro.
Foi quando perguntaram sobre as anotações encontradas na casa de Chiro que ele entrou em colapso. Debaixo do sofá onde Nisino estava, ele puxou uma pistola, apontando diretamente para a polícia enquanto se afastava alguns passos. Tão rápido como começou, ele levou a pistola ao rosto.
"Não me siga..." murmurou Nissino enquanto enfiava a pistola na boca e puxava o gatilho. Foi muito rápido para a polícia ter qualquer reação. Estava feito. Nisino suicidou-se, repetindo o que estava escrito nos papéis de Chiro.
Parecia que o caso não teria resolução. O time que criou o jogo original estava se dispersando e tornando mais difícil de encontrar. Era como se eles estivessem tentando guardar um segredo. Quando a polícia finalmente conduziu uma conversa com alguns dos programadores ou qualquer outra pessoa que contribuiu com partes do jogo, mesmo os mais obscuros designers de monstros, parecia que eles não tinham nada de interessante a dizer. A maioria nem conhecia Chiro, os poucos que conheciam, só viram uma ou duas vezes enquando ele trabalhava em seu próprio projeto. Ao longo de tudo isso, a única confirmação era que Chiro foi o responsável pelas partes iniciais do jogo.
Passara, alguns meses depois que as primeiras crianças cometeram suicídio e a taxa de mortes diminuiu significativamente. Parecia que o jogo não estava mais causando aqueles efeitos bizarros nas crianças. O recolhimento dos jogos foi cancelado. Eles começaram a acreditar que talvez Takenori estivesse certo e tudo não passava de uma coincidência ou histeria em massa... até que recebram a carta.
Ela foi dada a um dos próprios detetives diretamente na rua. Uma mulher o deu a carta: ela parecia muito fraca, magra e doente. Deu a carta para ele rapidamente, dizendo que era algo que precisavam ver e, sem mais nenhuma palavra, desapareceu na multidão. O detetive levou ao seu escritório, chamou os outros, abriu e leu em voz alta.
Era uma carta escrita pelo próprio Chiro, mas que não foi encontrada em seu apartamento. Eles haviam limpado o local procurando pistas e respostas, então de onde quer que a carta tenha vindo, não foi pêga na casa dele. Estava assinada para ser dada a Nisino. Começou um pouco formal, um "olá", "como vai você", "lembranças à família", essse tipo de coisa. Depois de um ou dois parágrafos normais, eles chegaram a uma parte onde Chiro pedia a Nisino que colocasse-o no time do jogo. Uma posição de programador no Red/Green.
Conforme a carta ia continuando, a caligrafia parecia ficar mais distorcida. Ele falava de uma idéia gloriosa, uma maneira de programar algo nunca visto em nenhum jogo. Disse que certamente não iria revolucionar apenas a indústria dos jogos, mas tudo ao redor. Ele começou a dizer que era muito simples programar essa idéia no jogo. Nem sequer deveria adicionar qualquer programação estrangeira, poderia usar a que já estava no próprio jogo. Neste momento, os detetives percebram que isso tornaria impossível detectar qualquer obscuridade na programação. Era a maneira perfeita de esconder qualquer coisa.
A carta terminava abruptamente. Não havia "adeus", nem "diga oi para a família", sem notas, sem agradecimentos. Não havia nada disso. Era apenas seu nome escrito de maneira tão rígida no papel que quase o rasgou: "Chiro Miura".
Essa foi a peça final que os detetives procuravam. Não havia mais suspeitos no caso. Chiro programou algo nas primeiras partes do jogo - algo enlouquecedor. Para aumentar as chances de sucesso, o time de programação teria que trabalhar em pares, até o próprio Chiro. Seu parceiro era Sousuke Tamada. Se alguém conhecesse o segredo do jogo, esse teria que ser Sousuke. Esta era a última esperança de desvendar todo o caso de uma vez por todas.
Eles descobriram que Sousuke teria providenciado muito da programação do jogo e parecia ser alguém normal, um cara bom e trabalhador. Os detetives foram facilmente recebidos em sua casa, um lugar simpático, entraram pela sala de estar, onde sentaram. Sousuke não sentou, no entanto. Ele estava perto da janela do piso do segundo andar, olhando para a rua movimentada. Sorria um pouco.
Não houve testemunhas para os eventos que se sucederam. A única coisa que sobrou desta conversa foi uma gravação na mesa em frente aos dois detetives que estavam encarregados de falar com Sousuke. O que segue, é a gravação sem edições:
"Sousuke Tamada, por quais partes você foi responsável nos jogos Pokemon Red e Green?", perguntou o primeiro detetive.
"Eu era programador". Sua voz era leve e amigável, quase amigável demais.
"É correta a informação de que os programadores trabalhavam em times?", perguntou o detetive.
Pôde-se ouvir o som de pés se movendo no chão, vagarosamente. "Você está certo", disse Sousuke depois de um momento de silêncio.
"E o nome de seu parceiro era--", o detetive foi interrompido pela voz misteriosa de Sousuke. "Chiro Miura... Este era seu nome, Chiro Miura".
Outro momento de silêncio, parecia que os detetives estavam desconfiados com esse homem. "Você poderia nos dizer se Miura alguma vez agiu estranho? Algum comportamento particular que você observou enquanto trabalhavam juntos?"
"Na verdade, eu não o conheço tão bem. Nós não nos encontrávamos frequentemente, apenas uma vez ou outra para trocar dados, ou quando o time inteiro era chamado para relatório... Eram as únicas vezes que eu realmente o vi. Ele agia normal tanto quanto eu poderia dizer. Ele era um homem baixo, eu acho que isso afetou sua consciência... ele agia de maneira mais fraca do que qualquer outro homem que conheci. Mas ele estava disposto a fazer muito mais trabalho para ganhar reconhecimento, disso eu sei."
Silêncio. "Sim?" perguntou o detetive, forçando-o a continuar. "O que você acha?"
"Eu acho que ele era um home muito fraco. Acho que ele queria provar algo para si mesmo, independentemente do que teria que fazer...acho que ele queria fazer seu próprio reconhecimento por algo especial, algo que pudesse fazer as pessoas esquecerem sobre sua aparência e prestar atenção na poderosa mente que vivia dentro de sua cabeça... Infelizmente, porém... hihi... ele não tinha muita 'mente' para continuar seu projeto."
"Por que você diz isso?", perguntou o segundo detetive.
"Bem, é a verdade", respondeu Sousuke rapidamente. Seus pés poderiam ser ouvidos se movendo pelo piso. "Ele não tinha nada de especial, por mais que quisesse acreditar nisso. Você não pode ter grandeza, mesmo se acreditar nisso. É impossível... de alguma forma, eu acho que o próprio Chiro sabia disso, em algum lugar dentro dele, sabia que era verdade."
Os detetives estavam em silêncio novamente, não sabiam como manter a conversa. Depois de um momento, eles continuaram. "Você poderia nos dizer qual era a parte do jogo que Chiro era encarregado? Em que ele trabalhava exatamente?"
Sousuke respondeu mais rapidamente que antes. "Nada... quero dizer, nada importante. Ele trabalhou em algumas partes obscuras no início do jogo". Uma pausa, então mais um pouco de informação. "Era a parte do Professor Carvalho, para ser exato. Ele trabalhou em algumas peças do Carvalho... quando ele te vê pela primeira vez..."
"O quê mais?" forçou o policial. Sousuke sabia de mais alguma coisa, eles poderia ouvir em sua voz. "Sabemos que você tem conhecimento sobre as mortes das crianças. Sabemos que foi Chiro o responsável, ele programou alguma coisa no jogo."
"O que você está insinuando?" perguntou Sousuke. Parecia que ele estava tentando manter a voz.
"Estamos insinuando que, se você foi parceiro de Chiro, então tem mais informações. Se está escondendo algo de nós, você poderia ser responsável pelas mortes daquelas crianças tanto quanto o próprio Chiro!"
"Vocês não podem provar nada!", gritou Sousuke.
"Diga-nos o que Chiro fez ao jogo!"
"ELE FEZ O QUE EU O MANDEI FAZER!!!"
Silêncio. Completo silêncio.
"Vocês querem saber, huh?", perguntou Sousuke finalmente quebrando o terrível silêncio. "Vocês querem saber sobre o quê tudo isso se trata? Chiro era um idiota! Ele faria qualquer coisa por um pouco de atenção, QUALQUER COISA. Ele não poderia programar uma m*rda sequer. No entanto, a única coisa que ele sabia fazer, era ser manipulado. Você diria o que ele deveria fazer e ele o faria. Nem mesmo questionaria. Apenas ouvir aquele agradecimento quando ele recebe o produto acabado era sua maior satisfação. Tudo que ele queria."
Dois clicks vieram dos detetives, armas poderia ser ouvidas.
"Eu poderia controlá-lo sem problemas. Ele era muito parecido com Takenori... vocês não sabiam disso, é claro, mas eu fui quem trouxe toda a idéia do jogo. A idéia da operação inteira. Eu apenas disse ao meu companheiro o que fazer, e ele me seguiu sem questionar, Ele não sabia de nada, assim como Chiro."
O som de uma janela abrindo poderia ser ouvido. Os detetives apontaram as armas para Sousuke
"Não se mova! Ou iremos atirar!"
"Deixe-me contar uma coisa sobre a mecânica do jogo", continuou o suspeito. Sua voz estava mais apressada, mas ainda mantinha o vigor. "Considere isso uma dica, ok? Se cvocê andar ao redor das áreas com grama, um Pokemon pode aparecer e você terá a chance de batalhar com ele. É uma parte necessária do jogo todo, sabe?"
"Saia de perto da janela! Nós não avisaremos novamente!"
"No começo do jogo, você tem que andar na grama antes de Carvalho aparecer e você receber seu primeiro Pokemon, entende? Em circuntâncias normais, foi programado que enquanto você estiver nessa área, nenhum Pokemon irá aparecer... eu modifiquei. Manipulei aquele Chiro, disse a ele o que colocar no programa, dei a ele todas as instruções de como proceder. Ele o fez impecavelmente. É raro, mas pode acontecer: ANDAR SOBRE AQUELE GRAMA PODE GERAR..."
"Sousuke, nós não queremos atirar!"
"Atire!!" gritou Sousuke, rindo ao mesmo tempo. "Atirar em MIM? Você é tão patético quanto Chiro! Uma vez que ele encontrou a verdade, não havia volta! Foi tudo sua culpa, no fim das contas. Ele suicidou-se por causa disso! Se você está tão determinado em terminar seu maldito caso, então jogue a porr* do jogo você mesmo! Gire a rode, e quem sabe, você pode descobrir o segredo..."
Um tiro pôde ser ouvido, alto o bastante para distorcer o audio. Sons de gritos e murmúrios. A mesa do gravador estava destruída. Silêncio e então risadas. Sousuke estava rindo, dizendo "Venha, siga-me... venha, siga-me..." e então, nada. O gravador continuou rodando até a fita acabar, mas não havia mais nada.
A polícia havia chegado rapidamente ao local e, para o horror de todos, descobriram Sousuke e os dois detetives mortos. Todos levaram tiros, mas sem depois de lutar. Os detetives tinham sido baleados múltiplas vezes, pelo menos 10 de cada, antes de morrer, levaram tiro no meio dos olhos. O próprio Sousuke estava claramente morto com dois tiros no peito, diretamente no coração. O jogo estava causando um massacre. Pelo menos 100 crianças morreram. Nissino, o amigo inexperado, morto. Chiro, o brinquedo manipulado, morto. Os dois detetives, mortos. E agora, até o criador, o causador desta atrocidade, Sousuke, morto. O jogo estava depurtando todas as intenções originais: ao invéns de entreter, matava a todos que ficavam envolvidos.
O líder da investigação decidiu deixar o caso de lado. Os principais suspeitos estavam mortos, então não havia razões para continuá-lo. Todas as evidências foram trancadas, colocadas na escuridão, onde pertenciam. Durante algum tempo, todos falavam do caso, murmurinhos e fofocas, mas com o passar dos anos, o caso foi se dissolvendo. Eventualmente, ele estava apenas na memória daqueles que o experimentaram de perto.
Dez anos se passaram. 27 de Fevereiro de 2006. O detetive que trancou as evidências anteriormente, estava relembrando o bizarro acontecimento. Na verdade, ele não estava mais no ramo, contudo ainda possuía acesso a todos os arquivos e poderia ajudar quando quisesse. A lembrança o fez voltar e abrir uma caixa selada que escondia todas as provas coletadas.
Ele leu atenciosamente as cartas e as anotações... ele se lembrou da mulher que apareceu na rua segurando aquela carta, que supostamente resolveria o caso inteiro. Imaginou quem ela seria e de onde teria vindo. Talvez fosse a mãe de Chirou ou de Sousuke. Era muito tarde para pensar nisso. Tarde demais...
Selando a caixa novamente, ele viu uma outra atrás dessa. Puxando, ele leu a nota no topo "Evidência #2104A". Abriu e olhou dentro: eram exatamente 104 cartuchos Pokemon Red e Green, todos em perfeito estado... intocados desde o último dia em que foram vistos, 10 anos atrás.
Ele pegou um: Pokemon Red. Não havia visto um por muito tempo. Não sabia o que viria a seguir, mas mesmo assim chegou a uma mesa, pegou um velho GameBoy de dentro da caixa e viu que ainda funcionava. O aparelho era de seu filho, que havia morrido a poucos anos atrás. Sua esposa também partira. Colocando o cartucho na parte de trás do GameBoy, ele ligou o sistema.
A tela inical veio, então a opção "Continue" ou "Start a New Game".
Tanaka. Esse era o nome da criança. Aquela que jogou priomeiro. Ele estava provavelmnte morto, junto com todos os outros.
"New Game"
Estava normal. Ele andou, falou com a mãe e foi para fora. Começou a andar na grama.
Em sua cabeça, ele ainda ouvia as palavras de Sousuke... "Venha, siga-me.."
Estava chegando gradativamente mais perto. Talvez um passo ou dois.
"Gire a roda, quem sabe você pode descobrir o segredo..."
Ele entrou na grama. A tela não fez nada. Nada mesmo. Estava apenas lá, e o detetive completamente paralizado, como se o tempo ao seu redor estivesse congelado. A tela ficou escura e então acendeu novamente. O fundo verde com um texto aparecendo:
"Come follow me, come follow me, come follow me. I miss you dad, I miss you my husband. I miss you so much."
Lágrimas desceram de seus olhos, caindo no peitoral. Telas e mais telas de textos apareciam, ele rapidamente apertava o botão A para continuá-lo. Era sua esposa e seu filho. Eles estavam falando, chamando-o, chorando. Eles queriam vê-lo, eles amavam-no, e ele também.
"Eu também amo vocês", murmurava o homem em um sussurro, a voz rachando.
"Venha, siga-me. Renasça. Nós queremos vê-lo, abraçá-lo e estar com você para todo o sempre e sempre e sempre e sempre."
"E SEMPRE E SEMPRE..."
"Não nos deixe, nós podemos te ver. Sentimos saudades. Venha, siga-me. Nós amamos voc---"
A tela escureceu. Os olhos do detetive se arregalaram. A tela acendeu novamente e Carvalho estava tirando-o da grama. "Venha, siga-me", dizia Oak.
"NÃO", gritou o homem, jogando o aparelho no chão. Ele rapidamente voltou atrás, procurando o GameBoy, trazendo a tela de volta para seu rosto. "Traga-os, traga-os de volta para mim". O jogo continuou normalmente. "Traga minha esposa, meu filho, ME ESUTE! Traga-os de volta para mim AGORA!!!"
Vozes... ele ouvia vozes, centenas de vozes. Virou-se, olhando para trás. Na pequena sala, estavam crianças, muitas crianças. Algumas sem olhos, algumas com feridas na garganta, com o corpo completamente queimado. Todas estavam gritando, gemendo, aproximando-se.
"Traga de volta minha mãe, traga de volta meu pai, traga de volta meu bichinho, TRAGA DE VOLTA MINHA ALMA". Todas gritavam, procurando pelo jogo; as bocas exalando profundo ódio e horror. "Eu não quero que eles partam, traga-os de volta, traga-os de volta para mim!"
"Não." falou o detetive. "É MEU! MINHA família está aqui, não toque!". O terror estampado em seu rosto.
"Venha, siga-me..." disse uma voz. O detetive olhou ao redor e, próximo a uma velha mesa, estava Sousuke. Ele estava em pé, era alto, lindo e radiante. Com um leve sorriso "Venha, siga-me..."
O homem pulou, tentando escapar das crianças. Levantando o GameBoy com as mãos. "O-o que está acontecendo? Onde está minha família?"
Sousuke sorria generosamente. "Eu te mostrarei. Eu te ajudarei a ficar longe destes monstros. Apenas siga-me". Sousuke se abaixou e abriu uma gaveta na mesa velha. O detetive, empurrando as crianças tentando se fastar, olhou para dentro.
Coberta em poeira, lá estava sua velha arma, de quando ele ainda trabalhava na polícia. Ele não a usava há muitos anos, por isso a deixou de lado, não queria se lembrar das coisas que fez com ela..
Mas agora, aquilo não era apenas um objeto que causava dor e agonia. Era brilhante, era a própria luz. Era algo que poderia libertá-lo. "Apenas siga-me", disse Sousuke, sacando a arma e colocando nas mãos do detetive. Ele segurou e então levou às têmporas. "Apenas puxe o gatinho. É tudo."
O detetive se virou. As crinças estavam agarrando-o, segurando suas pernas e puxando. Elas chegaram ao jogo, ele se virou para Sousuke, e sorriu.
"Minha família... eu irei seguí-los."
Puxou o gatinho.
Seu cérebro espatifou na a parede e ele caiu no chão, morto. Alguns dias depois o corpo foi achado. Estava no chão, sangue por toda parte. Em uma mão, segurava uma arma vazia, e na outra, um GameBoy com Pokemon Red. A bateria tinha acabado, estava vazia, apenas a tela escura permanecia.
Este era a última morte que as autoridades iriam permitir. Todos os 104 cartuchos foram queimados. Eles não iriam mais provocar ninguém.
No entando, este não é o fim da história. É dito que o código sobreviveu, e até mesmo passou para outras línguas do jogo. Se você tem um velho jogo de Pokemon, apenas ponha-o em um clássico GameBoy, ative o sistema e gire a roda. Quem sabe, talvez você descubra o segredo...
--------------------------------------------
Não sei o titulo
Durante os primeiros dias desde o lançamento de Pokemon Red e Green no Japão, no dia 27 de fevereiro de 1996, houve um aumento substancial nas mortes de adolescentes entre 10 e 15 anos.
As crianças eram geralmente encontradas mortas por suicídio, quase sempre pulando de alturas vertiginosas. Algumas, no entanto, foram ainda mais bizarras. Em alguns casos crianças serraram seus lábios, outros colocaram o rosto dentro do forno ligado, e umas poucas asfixiaram-se enfiando o braço na própria garganta.
Aquelas que foram salvas antes de cometerem suicídio, mostraram um comportamento disperso e aleatório. Quando questionadas sobre o porquê de tentarem se machucar, elas apenas respondiam em gritos caóticos e tentavam arrancar os próprios olhos. Uma das poucas ligações lógicas entre os casos, era o GameBoy. Elas não costumavam falar nada, mas quando alguém mecionava sobre Red ou Green, os gritos surgiriam e elas fariam qualquer coisa para deixar o quarto onde estavam.
As autoridades confirmaram que os jogos suspeitos tinham, de alguma forma, uma conexão com as mortes. Era um caso estranho, por que muitas crianças que possuíam o mesmo jogo não mostravam nenhum comportamento anormal. A polícia não tinha escolha além de seguir esta pista, já que não contavam com outra alternativa.
Coletando todos os cartuchos que as crianças haviam comprado, eles selaram e guardaram tudo, como forte evidência para futuras referências. Decidiram primeiramente falar com os próprios programadores. A pessoa com quem falaram foi o diretor dos jogos originais, Satoshi Taijiri. Quando informado sobre as mortes por trás dos jogos, ele parecia um pouco desconfortável, mas não admitia nada. Ele conduziu os policiais aos principais programadores do jogo, pessoas responsáveis pelo conteúdo.
Os detetives conheceram Takenori Oota, um dos chefes da programação. Direfentemente de Satoshi, ele não parecia desconfortável - apenas muito conservado - explicando que era impossível usar algo como um jogo para causar tantas mortes, também utilizando o argumento de que nem todas as crianças foram afetadas, ele culpou o incidente a algum tipo de coincidência excêntrica, ou histeria em massa. Ele parecia estar escondendo algo, mas não dava chances para suspeitas. Finalmente disse algo interessante.
Takenori ouviu um rumor sobre a música de Lavender Town, um dos lugares no jogo que acabou deixando algumas crianças doentes. Era o único rumor que não tinha explicação.
Ele direcionou os detetives a Junichi Masuda, o compositor das músicas da série. Masuda também ouviu os boatos, mas novamente afirmou que não havia evidência de que sua música era a causa. Para comprovar, ele tocou exatamente o som do jogo e demonstrou que nem os detetives nem ele próprio sentiram algo estranho: a música não afetou ninguém. Apesar de ainda terem suspeitas em Masuda e sua música de Lavender, parecia que chegaram a mais um beco sem saída.
Voltando para os cartuchos que apreenderam das casas das crianças, eles decidiram olhar os jogos mais diretamente. Viram os nomes dos personagens, geralmente "Red", ou outro nome simples, no entanto, o interessante estava no tempo jogado e o número de Pokemons que eles haviam capturado. Os investigadores chegaram à estonteante percepção de que não foi a música de Lavender que causou tantos efeitos maléficos nas crianças, era impossível chegar àquela parte do jogo em tão pouco tempo e com apenas um Pokemon em seu inventário. Isso levou-os a concluir que algo no início do jogo tinha que ser o responsável.
Se não era a música, deveria ser algo dentro dos primeiros minutos do jogo. Eles não possuíam escolha além de deixar os jogos de lado e voltar aos programadores. Pedindo uma lista de toda a equipe para Takenoshi, eles descobriram que, surpreendentemente, um daqueles programadores tinha cometido suicídio logo após a liberação do jogo. Seu nome era Chiro Miura, um homem muito obscuro que contribuiu com pouco para o jogo. Mais interessante ainda, ele pediu que seu nome não aparecesse nos créditos do jogo e assim foi feito.
Procurando por evidências no apartamento de Chiro, eles encontraram muitas anotações em marcador permanente. A maioria estava amassada ou riscada, dificultando a leitura. As poucas palavras que eles conseguiram encontrar na bagunça eram "Não entre", "Cuidado" e "VENHA, SIGA-ME" em negrito. Os detetives não sabiam ao certo que isto significava, mas sabiam que tinha alguma ligação. Pesquisando mais, descobriram que Chiro era grande amigo de um dos designers de mapas, Kohji Nisino. Desde a morte do amigo, ele havia se trancado em seu apartamento, saindo raras vezes durante a noite para buscar algo que poderia precisar. Ele disse aos amigos e familiares que estava em luto pelo seu amigo Chiro, mas não fazia muito sentido, já que os relatos indicavam que ele se trancou pouco antes de Chiro se matar.
Foi complicado, mas as autoridades finalmente persuadiram Nisino a falar. Parecia que ele não havia durmido há dias, com anéis escuros embaixo dos olhos. Ele fedia, suas unhas cresciam sujas e seu cabelo estava oleoso, grudando na testa e nuca. Falava em murmúrios, mas pelo menos tinha algo a dizer. Quando questionado se sabia de alguma coisa sobre as crianças que morreram depois de serem expostas ao jogo e como isso teria conexão, ele respondia cautelosamente, escolhendo bem suas palavras antes de responder. Disse que seu amigo Cirno teve uma idéia interessante para o jogo: algo que ele queria tentar desde que ouviu que o projeto estava começando. Nisino conhecia Takenori, o diretor e programador principal, há muito tempo, então ele poderia facilmente colocar um programador medíocre no projeto com um pouco de persuasão. Chiro convenceu Nisino a colocá-lo no projeto.
Nissino, durante toda a conversa, parecia ficar mais arrasado a cada pergunta. Os detetives forçavam-no mais e mais, procurando totalmente em sua mente por qualquer rascunho de conhecimento que este homem teria sobre o jogo e as intenções de Chiro.
Foi quando perguntaram sobre as anotações encontradas na casa de Chiro que ele entrou em colapso. Debaixo do sofá onde Nisino estava, ele puxou uma pistola, apontando diretamente para a polícia enquanto se afastava alguns passos. Tão rápido como começou, ele levou a pistola ao rosto.
"Não me siga..." murmurou Nissino enquanto enfiava a pistola na boca e puxava o gatilho. Foi muito rápido para a polícia ter qualquer reação. Estava feito. Nisino suicidou-se, repetindo o que estava escrito nos papéis de Chiro.
Parecia que o caso não teria resolução. O time que criou o jogo original estava se dispersando e tornando mais difícil de encontrar. Era como se eles estivessem tentando guardar um segredo. Quando a polícia finalmente conduziu uma conversa com alguns dos programadores ou qualquer outra pessoa que contribuiu com partes do jogo, mesmo os mais obscuros designers de monstros, parecia que eles não tinham nada de interessante a dizer. A maioria nem conhecia Chiro, os poucos que conheciam, só viram uma ou duas vezes enquando ele trabalhava em seu próprio projeto. Ao longo de tudo isso, a única confirmação era que Chiro foi o responsável pelas partes iniciais do jogo.
Passara, alguns meses depois que as primeiras crianças cometeram suicídio e a taxa de mortes diminuiu significativamente. Parecia que o jogo não estava mais causando aqueles efeitos bizarros nas crianças. O recolhimento dos jogos foi cancelado. Eles começaram a acreditar que talvez Takenori estivesse certo e tudo não passava de uma coincidência ou histeria em massa... até que recebram a carta.
Ela foi dada a um dos próprios detetives diretamente na rua. Uma mulher o deu a carta: ela parecia muito fraca, magra e doente. Deu a carta para ele rapidamente, dizendo que era algo que precisavam ver e, sem mais nenhuma palavra, desapareceu na multidão. O detetive levou ao seu escritório, chamou os outros, abriu e leu em voz alta.
Era uma carta escrita pelo próprio Chiro, mas que não foi encontrada em seu apartamento. Eles haviam limpado o local procurando pistas e respostas, então de onde quer que a carta tenha vindo, não foi pêga na casa dele. Estava assinada para ser dada a Nisino. Começou um pouco formal, um "olá", "como vai você", "lembranças à família", essse tipo de coisa. Depois de um ou dois parágrafos normais, eles chegaram a uma parte onde Chiro pedia a Nisino que colocasse-o no time do jogo. Uma posição de programador no Red/Green.
Conforme a carta ia continuando, a caligrafia parecia ficar mais distorcida. Ele falava de uma idéia gloriosa, uma maneira de programar algo nunca visto em nenhum jogo. Disse que certamente não iria revolucionar apenas a indústria dos jogos, mas tudo ao redor. Ele começou a dizer que era muito simples programar essa idéia no jogo. Nem sequer deveria adicionar qualquer programação estrangeira, poderia usar a que já estava no próprio jogo. Neste momento, os detetives percebram que isso tornaria impossível detectar qualquer obscuridade na programação. Era a maneira perfeita de esconder qualquer coisa.
A carta terminava abruptamente. Não havia "adeus", nem "diga oi para a família", sem notas, sem agradecimentos. Não havia nada disso. Era apenas seu nome escrito de maneira tão rígida no papel que quase o rasgou: "Chiro Miura".
Essa foi a peça final que os detetives procuravam. Não havia mais suspeitos no caso. Chiro programou algo nas primeiras partes do jogo - algo enlouquecedor. Para aumentar as chances de sucesso, o time de programação teria que trabalhar em pares, até o próprio Chiro. Seu parceiro era Sousuke Tamada. Se alguém conhecesse o segredo do jogo, esse teria que ser Sousuke. Esta era a última esperança de desvendar todo o caso de uma vez por todas.
Eles descobriram que Sousuke teria providenciado muito da programação do jogo e parecia ser alguém normal, um cara bom e trabalhador. Os detetives foram facilmente recebidos em sua casa, um lugar simpático, entraram pela sala de estar, onde sentaram. Sousuke não sentou, no entanto. Ele estava perto da janela do piso do segundo andar, olhando para a rua movimentada. Sorria um pouco.
Não houve testemunhas para os eventos que se sucederam. A única coisa que sobrou desta conversa foi uma gravação na mesa em frente aos dois detetives que estavam encarregados de falar com Sousuke. O que segue, é a gravação sem edições:
"Sousuke Tamada, por quais partes você foi responsável nos jogos Pokemon Red e Green?", perguntou o primeiro detetive.
"Eu era programador". Sua voz era leve e amigável, quase amigável demais.
"É correta a informação de que os programadores trabalhavam em times?", perguntou o detetive.
Pôde-se ouvir o som de pés se movendo no chão, vagarosamente. "Você está certo", disse Sousuke depois de um momento de silêncio.
"E o nome de seu parceiro era--", o detetive foi interrompido pela voz misteriosa de Sousuke. "Chiro Miura... Este era seu nome, Chiro Miura".
Outro momento de silêncio, parecia que os detetives estavam desconfiados com esse homem. "Você poderia nos dizer se Miura alguma vez agiu estranho? Algum comportamento particular que você observou enquanto trabalhavam juntos?"
"Na verdade, eu não o conheço tão bem. Nós não nos encontrávamos frequentemente, apenas uma vez ou outra para trocar dados, ou quando o time inteiro era chamado para relatório... Eram as únicas vezes que eu realmente o vi. Ele agia normal tanto quanto eu poderia dizer. Ele era um homem baixo, eu acho que isso afetou sua consciência... ele agia de maneira mais fraca do que qualquer outro homem que conheci. Mas ele estava disposto a fazer muito mais trabalho para ganhar reconhecimento, disso eu sei."
Silêncio. "Sim?" perguntou o detetive, forçando-o a continuar. "O que você acha?"
"Eu acho que ele era um home muito fraco. Acho que ele queria provar algo para si mesmo, independentemente do que teria que fazer...acho que ele queria fazer seu próprio reconhecimento por algo especial, algo que pudesse fazer as pessoas esquecerem sobre sua aparência e prestar atenção na poderosa mente que vivia dentro de sua cabeça... Infelizmente, porém... hihi... ele não tinha muita 'mente' para continuar seu projeto."
"Por que você diz isso?", perguntou o segundo detetive.
"Bem, é a verdade", respondeu Sousuke rapidamente. Seus pés poderiam ser ouvidos se movendo pelo piso. "Ele não tinha nada de especial, por mais que quisesse acreditar nisso. Você não pode ter grandeza, mesmo se acreditar nisso. É impossível... de alguma forma, eu acho que o próprio Chiro sabia disso, em algum lugar dentro dele, sabia que era verdade."
Os detetives estavam em silêncio novamente, não sabiam como manter a conversa. Depois de um momento, eles continuaram. "Você poderia nos dizer qual era a parte do jogo que Chiro era encarregado? Em que ele trabalhava exatamente?"
Sousuke respondeu mais rapidamente que antes. "Nada... quero dizer, nada importante. Ele trabalhou em algumas partes obscuras no início do jogo". Uma pausa, então mais um pouco de informação. "Era a parte do Professor Carvalho, para ser exato. Ele trabalhou em algumas peças do Carvalho... quando ele te vê pela primeira vez..."
"O quê mais?" forçou o policial. Sousuke sabia de mais alguma coisa, eles poderia ouvir em sua voz. "Sabemos que você tem conhecimento sobre as mortes das crianças. Sabemos que foi Chiro o responsável, ele programou alguma coisa no jogo."
"O que você está insinuando?" perguntou Sousuke. Parecia que ele estava tentando manter a voz.
"Estamos insinuando que, se você foi parceiro de Chiro, então tem mais informações. Se está escondendo algo de nós, você poderia ser responsável pelas mortes daquelas crianças tanto quanto o próprio Chiro!"
"Vocês não podem provar nada!", gritou Sousuke.
"Diga-nos o que Chiro fez ao jogo!"
"ELE FEZ O QUE EU O MANDEI FAZER!!!"
Silêncio. Completo silêncio.
"Vocês querem saber, huh?", perguntou Sousuke finalmente quebrando o terrível silêncio. "Vocês querem saber sobre o quê tudo isso se trata? Chiro era um idiota! Ele faria qualquer coisa por um pouco de atenção, QUALQUER COISA. Ele não poderia programar uma m*rda sequer. No entanto, a única coisa que ele sabia fazer, era ser manipulado. Você diria o que ele deveria fazer e ele o faria. Nem mesmo questionaria. Apenas ouvir aquele agradecimento quando ele recebe o produto acabado era sua maior satisfação. Tudo que ele queria."
Dois clicks vieram dos detetives, armas poderia ser ouvidas.
"Eu poderia controlá-lo sem problemas. Ele era muito parecido com Takenori... vocês não sabiam disso, é claro, mas eu fui quem trouxe toda a idéia do jogo. A idéia da operação inteira. Eu apenas disse ao meu companheiro o que fazer, e ele me seguiu sem questionar, Ele não sabia de nada, assim como Chiro."
O som de uma janela abrindo poderia ser ouvido. Os detetives apontaram as armas para Sousuke
"Não se mova! Ou iremos atirar!"
"Deixe-me contar uma coisa sobre a mecânica do jogo", continuou o suspeito. Sua voz estava mais apressada, mas ainda mantinha o vigor. "Considere isso uma dica, ok? Se cvocê andar ao redor das áreas com grama, um Pokemon pode aparecer e você terá a chance de batalhar com ele. É uma parte necessária do jogo todo, sabe?"
"Saia de perto da janela! Nós não avisaremos novamente!"
"No começo do jogo, você tem que andar na grama antes de Carvalho aparecer e você receber seu primeiro Pokemon, entende? Em circuntâncias normais, foi programado que enquanto você estiver nessa área, nenhum Pokemon irá aparecer... eu modifiquei. Manipulei aquele Chiro, disse a ele o que colocar no programa, dei a ele todas as instruções de como proceder. Ele o fez impecavelmente. É raro, mas pode acontecer: ANDAR SOBRE AQUELE GRAMA PODE GERAR..."
"Sousuke, nós não queremos atirar!"
"Atire!!" gritou Sousuke, rindo ao mesmo tempo. "Atirar em MIM? Você é tão patético quanto Chiro! Uma vez que ele encontrou a verdade, não havia volta! Foi tudo sua culpa, no fim das contas. Ele suicidou-se por causa disso! Se você está tão determinado em terminar seu maldito caso, então jogue a porr* do jogo você mesmo! Gire a rode, e quem sabe, você pode descobrir o segredo..."
Um tiro pôde ser ouvido, alto o bastante para distorcer o audio. Sons de gritos e murmúrios. A mesa do gravador estava destruída. Silêncio e então risadas. Sousuke estava rindo, dizendo "Venha, siga-me... venha, siga-me..." e então, nada. O gravador continuou rodando até a fita acabar, mas não havia mais nada.
A polícia havia chegado rapidamente ao local e, para o horror de todos, descobriram Sousuke e os dois detetives mortos. Todos levaram tiros, mas sem depois de lutar. Os detetives tinham sido baleados múltiplas vezes, pelo menos 10 de cada, antes de morrer, levaram tiro no meio dos olhos. O próprio Sousuke estava claramente morto com dois tiros no peito, diretamente no coração. O jogo estava causando um massacre. Pelo menos 100 crianças morreram. Nissino, o amigo inexperado, morto. Chiro, o brinquedo manipulado, morto. Os dois detetives, mortos. E agora, até o criador, o causador desta atrocidade, Sousuke, morto. O jogo estava depurtando todas as intenções originais: ao invéns de entreter, matava a todos que ficavam envolvidos.
O líder da investigação decidiu deixar o caso de lado. Os principais suspeitos estavam mortos, então não havia razões para continuá-lo. Todas as evidências foram trancadas, colocadas na escuridão, onde pertenciam. Durante algum tempo, todos falavam do caso, murmurinhos e fofocas, mas com o passar dos anos, o caso foi se dissolvendo. Eventualmente, ele estava apenas na memória daqueles que o experimentaram de perto.
Dez anos se passaram. 27 de Fevereiro de 2006. O detetive que trancou as evidências anteriormente, estava relembrando o bizarro acontecimento. Na verdade, ele não estava mais no ramo, contudo ainda possuía acesso a todos os arquivos e poderia ajudar quando quisesse. A lembrança o fez voltar e abrir uma caixa selada que escondia todas as provas coletadas.
Ele leu atenciosamente as cartas e as anotações... ele se lembrou da mulher que apareceu na rua segurando aquela carta, que supostamente resolveria o caso inteiro. Imaginou quem ela seria e de onde teria vindo. Talvez fosse a mãe de Chirou ou de Sousuke. Era muito tarde para pensar nisso. Tarde demais...
Selando a caixa novamente, ele viu uma outra atrás dessa. Puxando, ele leu a nota no topo "Evidência #2104A". Abriu e olhou dentro: eram exatamente 104 cartuchos Pokemon Red e Green, todos em perfeito estado... intocados desde o último dia em que foram vistos, 10 anos atrás.
Ele pegou um: Pokemon Red. Não havia visto um por muito tempo. Não sabia o que viria a seguir, mas mesmo assim chegou a uma mesa, pegou um velho GameBoy de dentro da caixa e viu que ainda funcionava. O aparelho era de seu filho, que havia morrido a poucos anos atrás. Sua esposa também partira. Colocando o cartucho na parte de trás do GameBoy, ele ligou o sistema.
A tela inical veio, então a opção "Continue" ou "Start a New Game".
Tanaka. Esse era o nome da criança. Aquela que jogou priomeiro. Ele estava provavelmnte morto, junto com todos os outros.
"New Game"
Estava normal. Ele andou, falou com a mãe e foi para fora. Começou a andar na grama.
Em sua cabeça, ele ainda ouvia as palavras de Sousuke... "Venha, siga-me.."
Estava chegando gradativamente mais perto. Talvez um passo ou dois.
"Gire a roda, quem sabe você pode descobrir o segredo..."
Ele entrou na grama. A tela não fez nada. Nada mesmo. Estava apenas lá, e o detetive completamente paralizado, como se o tempo ao seu redor estivesse congelado. A tela ficou escura e então acendeu novamente. O fundo verde com um texto aparecendo:
"Come follow me, come follow me, come follow me. I miss you dad, I miss you my husband. I miss you so much."
Lágrimas desceram de seus olhos, caindo no peitoral. Telas e mais telas de textos apareciam, ele rapidamente apertava o botão A para continuá-lo. Era sua esposa e seu filho. Eles estavam falando, chamando-o, chorando. Eles queriam vê-lo, eles amavam-no, e ele também.
"Eu também amo vocês", murmurava o homem em um sussurro, a voz rachando.
"Venha, siga-me. Renasça. Nós queremos vê-lo, abraçá-lo e estar com você para todo o sempre e sempre e sempre e sempre."
"E SEMPRE E SEMPRE..."
"Não nos deixe, nós podemos te ver. Sentimos saudades. Venha, siga-me. Nós amamos voc---"
A tela escureceu. Os olhos do detetive se arregalaram. A tela acendeu novamente e Carvalho estava tirando-o da grama. "Venha, siga-me", dizia Oak.
"NÃO", gritou o homem, jogando o aparelho no chão. Ele rapidamente voltou atrás, procurando o GameBoy, trazendo a tela de volta para seu rosto. "Traga-os, traga-os de volta para mim". O jogo continuou normalmente. "Traga minha esposa, meu filho, ME ESUTE! Traga-os de volta para mim AGORA!!!"
Vozes... ele ouvia vozes, centenas de vozes. Virou-se, olhando para trás. Na pequena sala, estavam crianças, muitas crianças. Algumas sem olhos, algumas com feridas na garganta, com o corpo completamente queimado. Todas estavam gritando, gemendo, aproximando-se.
"Traga de volta minha mãe, traga de volta meu pai, traga de volta meu bichinho, TRAGA DE VOLTA MINHA ALMA". Todas gritavam, procurando pelo jogo; as bocas exalando profundo ódio e horror. "Eu não quero que eles partam, traga-os de volta, traga-os de volta para mim!"
"Não." falou o detetive. "É MEU! MINHA família está aqui, não toque!". O terror estampado em seu rosto.
"Venha, siga-me..." disse uma voz. O detetive olhou ao redor e, próximo a uma velha mesa, estava Sousuke. Ele estava em pé, era alto, lindo e radiante. Com um leve sorriso "Venha, siga-me..."
O homem pulou, tentando escapar das crianças. Levantando o GameBoy com as mãos. "O-o que está acontecendo? Onde está minha família?"
Sousuke sorria generosamente. "Eu te mostrarei. Eu te ajudarei a ficar longe destes monstros. Apenas siga-me". Sousuke se abaixou e abriu uma gaveta na mesa velha. O detetive, empurrando as crianças tentando se fastar, olhou para dentro.
Coberta em poeira, lá estava sua velha arma, de quando ele ainda trabalhava na polícia. Ele não a usava há muitos anos, por isso a deixou de lado, não queria se lembrar das coisas que fez com ela..
Mas agora, aquilo não era apenas um objeto que causava dor e agonia. Era brilhante, era a própria luz. Era algo que poderia libertá-lo. "Apenas siga-me", disse Sousuke, sacando a arma e colocando nas mãos do detetive. Ele segurou e então levou às têmporas. "Apenas puxe o gatinho. É tudo."
O detetive se virou. As crinças estavam agarrando-o, segurando suas pernas e puxando. Elas chegaram ao jogo, ele se virou para Sousuke, e sorriu.
"Minha família... eu irei seguí-los."
Puxou o gatinho.
Seu cérebro espatifou na a parede e ele caiu no chão, morto. Alguns dias depois o corpo foi achado. Estava no chão, sangue por toda parte. Em uma mão, segurava uma arma vazia, e na outra, um GameBoy com Pokemon Red. A bateria tinha acabado, estava vazia, apenas a tela escura permanecia.
Este era a última morte que as autoridades iriam permitir. Todos os 104 cartuchos foram queimados. Eles não iriam mais provocar ninguém.
No entando, este não é o fim da história. É dito que o código sobreviveu, e até mesmo passou para outras línguas do jogo. Se você tem um velho jogo de Pokemon, apenas ponha-o em um clássico GameBoy, ative o sistema e gire a roda. Quem sabe, talvez você descubra o segredo...
Pokemon Strangled Red
Há um monte de histórias por aí sobre jogos hackeados de Pokémon. Algumas delas são bem feitas, como aquela sobre a versão em que você ganha um fantasma como inicial. Algumas são ridículas também, histórias bobas sobre pessoas morrendo depois de jogar, ou sobre o jogo falando com ela. Deus, esses escritores não sabem que menos é mais quando se trata dessas coisas? Ah, bom, eu estou me desviando do assunto.
Eu cresci interessando nesses jogos hackeados que são aparentemente vendidos em qualquer loja suspeita, no Ebay, ou dados por gente sem teto para passantes aleatórios. Eu não tive o prazer de conhecer essas pessoas estranhas, eu simplesmente encontrei essa fita popular numa lixeira quando o caminhão de lixo veio recolher o lixo do meu vizinho. Eu notei o jogo e perguntei ao cara do lixo se eu podia levá-lo, e ele não pareceu se importar. Tinha sido jogado fora, afinal de contas. Eu, claro, chequei com o meu vizinho para confirmar se eles realmente não queriam, e eles pareceram perplexos, como se nunca o tivesse visto na vida.
O filho deles até quis, um garotinho que viu o Charizard na fita, dizendo “Pokémon! Mamãe, eu quero!”, mas a mãe dele disse que não, já que eu tinha encontrado. Ele nem tinha um Game Boy, só gostava de Pokémon.
Não pensando mais nisso, eu simplesmente voltei para casa, olhando para o adesivo da fita no caminho. Apenas uma simples versão Red, o adesivo levemente rasgado pelo pescoço do Charizard, mas isso já era esperado de um game tão velho. Eu tive a versão Blue quando criança, então, estava um pouco ansioso para as, embora mínimas, diferenças que a versão Red tinha. Eu fiquei desapontado pelo que vi quando a tela de título apareceu.
“Pokémon: Strangled Red Version.”
Droga, era um hack. Hacks eram até legais e tal, mas eles tinham zero de valor monetário, os originais até que eram valiosos agora, e eu queria jogar Red, não esse negócio. Mas, bem, era de graça, eu poderia ao menos tentar. Porém, o nome era estranho, Strangled Red? (N.: A tradução de "strangled" é "estrangulado".) Isso não fazia sentido, nem mesmo numa mórbida descrição de alguém sendo asfixiado, já que as pessoas ficam azuis quando sufocam, não vermelhas. Quem sabe, talvez havia um par desses hacks e eu peguei o vermelho.
Quanto mais eu pensava sobre isso, mais interessado eu ficava. Meu desapontamento inicial virou curiosidade, eu queria saber o que criador tinha feito, e eu ia anotar tudo o que eu via. A primeira coisa estranha que eu notei na primeira tela foi que havia um Charizard do lado do treinador ao invés de um Charmander, e, também, os Pokémon nunca mudavam que nem nas versões originais, só ficava o Charizard, mesmo depois de cinco minutos de espera. Dando de ombros, eu apertei start, percebendo que não havia o som do Charizard como eu achava que deveria ter.
Eu vi que tinha uma opção “Continue”, e decidi que faria o que todo mundo faz com esses jogos usados: ver o que o dono anterior havia feito.
“...Não...”
Pisquei, surpreso. Não? O que você quer dizer com não? O jogo não me deixava continuar por nada, apesar de que, na quarta tentativa, eu ouvi o som do Charizard, baixo e quase inaudível, mas estava lá. Desistindo, eu apertei New Game, como eu teria feito depois de checar o file anterior, de qualquer jeito.
A tela ficou preta por um momento, sem Professor Carvalho, sem tema inicial, nada. Eventualmente, a tela apareceu, mostrando um quarto, duas camas, duas TVs e um computador num canto. O sprite do meu treinado era o normal, consistente com a versão Red original. Eu estava intrigado sobre porque não tinha perguntado meu nome, mas isso foi respondido quando eu abri o menu, vendo que o meu treinador se chamava “Steven”. Não, esse não é meu nome real ou qualquer coisa assim, esse game não tem vida própria e nem é assombrado, pelo menos, não que eu saiba, era só um nome já escolhido. Curioso, eu vi que ele tinha a quantidade inicial de dinheiro, nenhuma insígnia. Ele não parecia Red, seu cabelo era mais longo, quase chegando no meio das costas, o sorriso normal de Red substituído por um sorrisinho confiante. Honestamente, eu achei esse sprite muito mais maneiro que o de Red.
Depois, eu chequei seu Pokémon, um único Charmander, nível cinco, chamado “Miki”. Nada estranho sobre ele... Ou, eu deveria dizer ela, com o nome e tudo. Ela tinha os stats normais de um Charmander, sabia apenas Scratch e Tail Whip, coisas básicas. O game parecia relativamente normal. Retornando ao jogo, eu andei pelo quarto, notando que o cabelo longo de Steven estava presente nas costas do meu sprite de treinador quando minhas costas estavam viradas para a câmera. Eu não reconheci a casa, mas desci as escadas para ver mais. No andar de baixo, havia outro treinador, que falou comigo no instante em que apareci.
Mike: Já está pronto?
Steven: Já.
Eu considerei esse “Mike” como meu rival, pré-decidido para mim, um substituto de Blue, apesar de que eu me lembrava do quarto ter duas camas, percebendo que eles não eram rivais, eram irmãos. Eles falaram um pouco, diálogo básico do Pokémon, se tornar um mestre Pokémon, capturar todos eles, coisas assim, antes de terem uma pequena discussão sobre quem era melhor, Charmander ou Squirtle, o que, é claro, levou ao uma batalha introdutória, como a VS. Blue no laboratório. Bastante simples, Scratch, Tackle, Scratch, Tackle, até que eu ganhei simplesmente por ter tido o primeiro turno. Eu escrevi sobre como o sprite de Steven em combate era muito melhor que o de Red, uma pose diferente, parecendo que seu cabelo estava ao vento, uma melhorada leve, mas, ainda assim, melhor. Eu deixei a casa depois de zoar um pouco meu “irmão”, sendo recebido pelo tema de Pallet Town. Indo para o leste, eu descobri que essa era, com certeza, Pallet, a casa estava simplesmente mais longe, no oeste. Eu notei que não havia um misterioso campo de grama como na Pallet normal.
Andando por aí, decidi checar a casa de Red. A mãe dele estava lá, e, quando eu falei com ela, ela comentou sobre o quão bonito Steven era, esperando que seu filho usasse ele como um exemplo quando se tornasse um treinador no próximo ano, o que me fez finalmente perceber que esse jogo se passava um ano antes do Pokémon original. Red estava no andar de cima, jogando SNES no seu quarto, comentando “Eu também vou ser o melhor quando for minha vez!”
Eu estava começando a gostar desse hack. Era interessante, uma aventura completamente nova, um personagem diferente, caramba, Steven até parecia ter uma história com as pessoas dessa cidade, uma reputação, uma personalidade além de um protagonista silencioso. As pessoas da cidade falavam com ele como uma pessoa, mantendo uma conversa, não só tagarelando aqueles tutoriais. Até a irmã de Blue tinha um novo diálogo, eles pareciam estar namorando, já que o diálogo terminou com um beijo e um coração em cima da cabeça dela.
O Professor Carvalho simplesmente me desejou sorte, me dando uma Pokédex para me ajudar na minha aventura. Ele não estava me dando para ser a razão por trás da aventura toda, como em qualquer outro jogo de Pokémon por aí, ele me deu só por gentileza, algo para me ajudar no meu caminho, um presente. Eu estava gostando disso mais e mais a cada segundo, o jogo parecia ter uma história de verdade agora! Eu era alguém, não só um protagonista anônimo que qualquer um pode ser, não só uma tela em branco que pode ser substituída sem que ninguém perceba.
A história era diferente, apesar de que a jogabilidade era a mesma. Eu fui para o norte como precisava, fui de cidade em cidade, consegui insígnias, recebi os elogios dos líderes. A fama de Steven parecia se espalhar, já que alguns NPCs falavam com ele como se o conhecessem.
Eu usava Miki em toda batalha, e ela estava crescendo surpreendentemente rápido. Ela acabou com Brock facilmente, até derrotou Misty sem nenhum problema. Ela não era tão afetada por ataques super efetivos como outros Pokémon, causava mais dano do que um um Charmander normal, ela tinha uma incrível potência! Ela até se tornou um Charizard no nível vinte cinco, nada mal, devo dizer.
As coisas começaram a ficar estranhas quando eu cheguei a Lavender Town. Eu sei, eu sei, Lavender Town é o foco por trás de toda história assustadora, mas era o único lugar perceptivelmente diferente. Não havia invasão da Equipe Rocket, o que eu achei estranho, apesar de que lembrei que isso era um ano no passado, então a invasão não ia acontecer até que chegasse a hora do Red. Eu tentei entrar na Pokémon Tower, querendo pegar um Ghastly, mas foi aí que ficou esquisito.
Steven: Eu não tenho razão para estar aqui...
Steven não entrava na Pokémon Tower, não importasse o que eu fizesse. Isso era estranho, eu quero dizer, caramba, há milhares de lugares em Kanto em que você não precisa estar, como pequenas casas aleatórias com nada além de NPCs de crianças, por exemplo. Por que era aqui que Steven não podia entrar? Ignorando, eu percebi que não precisaria de um Ghastly, já que Miki resolvia qualquer coisa, então simplesmente continuei no meu caminho, Lavender Town servindo apenas como um lugar com um Poké Center.
O game progrediu normalmente daí, os ginásios restantes sucumbiram e eu eventualmente cheguei à Liga e derrotei-os. Com Blue, meu “irmão” Mike estava lá antes de mim, iniciando a batalha, a qual Miki acabou facilmente. O que se seguiu depois da batalha foi agradável, nenhuma das tensões que está presente entre Red e Blue no final da partida deles, os irmãos parabenizaram um ao outro pelo progresso deles e apertaram as mãos, antes da tela ficar branca, sem Hall of Fame ou créditos.
Quando a tela voltou, eu estava em casa de novo, os dois irmão sentados ao computador, conversando.
Steven: Eu não quero...
Mike: Vai, eu só vou pegá-la emprestado por um segundo para terminar a Pokédex, não vai ter registro a não ser que ela me reconheça como mestre por um momento.
Steven: Mas ela é minha Miki...
Mike: Eu prometo que vou devolvê-la, vai, por favor?
-> Sim?
Não?
Eu estava um pouco perplexo, então apertei Não, só pra ser cauteloso.
Mike: Vai, por favor?
NÃO
Mike: Vai, por favor?
Eu percebi que isso se repetiria até eu apertar sim, então foi isso o que eu fiz, só para ver o que aconteceria.
Mike: Certo, isso só vai levar um segundo, e então, nós dois vamos ser mestres Pokémon!
Steven: ...
A tela mudou para a animação mostrada quando duas pessoas trocam Pokémon, o que eu achei estranho, já que eu estava sozinho, mas, que seja, isso era o que aparentemente tinha que acontecer. Miki foi primeiro, eu assisti indiferente quando ela começou a passar pelo tubo de troca.
SNAP!
Isso me fez pular, o som súbito ressoando meu quarto silencioso, alto por causa do volume estar no máximo. Eu notei que o jogo pareceu travar, Miki ainda no meio da troca, mas o jogo não estava fazendo nada. Com um suspiro, eu desliguei o jogo, imaginando quando era meu último save. Quando o game voltou, eu encarei por um momento a tela inicial, não tinha Charizard do lado do treinador. Apertando start, eu vi que a opção de New Game estava ausente, deixando apenas Continue. Isso era... Estranho, no mínimo, então eu selecionei-a, o jogo começando sem ao menos mostrar meu status, como deveria.
Meu queixo caiu com o que eu fui recebido.
UM ANO DEPOIS
O tema de Lavender Town veio primeiro, tocando normalmente, a tela lentamente aparecendo da negritude. Steven estava na Pokémon Tower, o que fez a música ficar ainda mais estranha, já que a torre tinha seu próprio tema. Ele estava na frente de uma lápide, sem fazer nada. Imaginando o que estava acontecendo, eu apertei A.
Steven: ...
Confuso, eu tentei andar, notando que eu estava no controle no momento. Eu abri o menu e chequei meu time. Miki tinha sumido. Não só Miki, todos os Pokémon. Ele não tinha nada, a Pokédex estava ausente do menu, sua mochila estava vazia. Honestamente preocupado agora, eu chequei seu Trainer Card.
Ele não tinha dinheiro. Ele não tinha insígnias. Seu tempo de jogo era 8975, o que era impossível, já que eu só tinha 30 no último save. Mas essa não era a parte mais estranha.
A imagem dele, a imagem do jovem treinador bonito e confiante estava... Diferente. Seus olhos estavam vazios, o rosto levemente virado para baixo, o sorriso tinha sumido, substituído pela falta de qualquer expressão, todo aquele cabelo longo, antes num estado perfeito, estava agora bagunçado e mal cuidado. Eu não podia mais olhar para ele, fechando o menu, eu fui sair da torre, mas, com cada passo que fazia eu me afastar da lápide, a tela dava um pulo, como acontece quando um Pokémon está envenenado. Engolindo em seco, eu abri o Trainer Card de novo, a imagem ficando pior. Com cada passo que eu dava, ele abaixava a cabeça mais e mais, o ombro caído, ele se inclinou. Quando eu saí da torre, ele estava de joelhos, mãos no rosto, o cabelo sobre ele.
Eu já tinha adivinhado o que estava acontecendo, mas isso definiu tudo. Eu comecei a juntar as coisas na minha cabeça. Eu sempre imaginei porque não tinha um campeão nos jogos originais além do seu rival. Porque você, o protagonista, tinha que derrotar seu rival, quando ele simplesmente aparecia lá, sem um campeão anterior para desafiar. Então, me aconteceu. A resposta estava lá.
O campeão anterior tinha desistido.
Sua preciosa Miki estava aparentemente morta, e, com ela, morreu também uma parte dele. Sua Pokédex, suas insígnias, sua fama, tudo, ele jogou fora. Naquele ano, o ano que eu perdi, o ano em que todas aquelas horas surgiram, eu até fiz a conta, há 8765 horas num ano, adicione isso às minhas 30 de antes e os resultados batem.
Mesmo assim, o jogo continuou, isso devia ser um final, eu pensei, quero dizer, o que mais havia para fazer? Eu não tinha Pokédex, nenhum Pokémon, nada. O que eu deveria estar fazendo? Eu falei com todos da cidade, mas todos eles diziam as mesmas coisas.
“Você está bem?”
“Ainda lamentando, ao que parece...”
“Tudo vai ficar bem...”
“Por favor... Tem algo que possamos fazer?”
Steven nunca respondia a eles, e todos eles simplesmente diziam a mesma coisa de novo e de novo. Eu não podia deixar esse jogo de lado agora, era tão estranho. Curioso, eu fui para a grama alta, e, eventualmente, entrei em uma batalha com um Rattatta. Nenhum Pokémon foi lançado, só o sprite de Steven. Eu estava imaginando como eu iria batalhar.
RATTATTA selvagem deixou você aí.
A batalha acabou sem nada acontecer. Isso era certamente interessante, e aconteceu com todos os Pokémon que eu encontrei.
PIDGET selvagem ignorou você.
PONYTA selvagem foi embora.
A música também nunca mudava. Não importava aonde eu fosse, Lavender Town saía do Game Boy, me seguindo, às vezes ficando levemente mais devagar, às vezes não. Eu procurei em todos os lugares, todas as cidades, falei com todo mundo, imaginando o que eu deveria fazer. Minha frustração estava se misturando à atmosfera depressiva, fazendo a experiência ser desconcertante e desconfortável, mas eu não podia me separar disso. Eu estava começando a ficar um pouco bravo, também, ninguém me dizendo nada além de me dar suas condolências e tentar me dar itens como LEMONADE ou COFFEE, cada um respondido com:
Steven: ...Não...
Eu me dei um tapinha pro causa da minha idiotice, subitamente percebendo que a resposta mais lógica estava bem na minha frente, Pallet Town, é claro! Eu fui lá, mas isso tomou um longo tempo, tendo que andar, sem Pokémon para voar, nenhuma bicicleta, e Steven parecia se mover só na metade da velocidade normal, o que não era muito diferente. Primeiro, eu tentei falar com o Professor Carvalho.
“Essas coisas acontecem... Você só foi azarado.”
Depois, tentei a irmã de Blue.
“Por favor... Não vá embora de novo...”
A mãe de Red nem sequer falou comigo. Sem nenhum outro lugar para ir, eu fui para o oeste, encontrando a casa do começo, a qual eu nunca entrei desde deixar Pallet Town. Dentro, estava Mike, mas falar com ele era tão inútil quanto.
Mike: Eu sinto muito...
Eu pensei por um momento se esse era mesmo o final, Steven condenado a fazer nada além de andar por Kanto em miséria, assombrado por memórias, forçado a ouvir as preocupações de todos sobre ele. Como um último esforço para fazer algo, eu fui para o quarto e me movi até a cama.
Steven: Eu vou dormir...
A tela ficou preta por um momento, mas, então, lentamente apareceu de novo, o mundo com um tom mais escuro, o sprite de Mike na outra cama, eu assumi que isso significava que era de noite.
Steven: Eu vou fazer isso…
Fazer o quê? De novo, eu não tinha idéia, tentei investigar tudo no quarto, nada aconteceu. Quando eu deixei a casa, outro diálogo.
Steven: AQUILO pode trazer ela de volta... AQUILO pode fazer qualquer coisa...
O que era AQUILO? Algo que podia fazer qualquer coisa, eu não conseguia descobrir o que era. Andando por aí, eu tentei deixar Pallet Town da maneira normal.
Steven: Não é aí.
Ele não ia mais longe, eu tentei as casas.
Steven: Que se danem eles...
Eu levantei uma sobrancelha para isso, esquecendo por um momento que isso não era um jogo de Pokémon real, a vulgaridade apenas me pegou desprevenido. Eu continuei a olhar ao redor, mas não tinha nenhum lugar que eu podia ir, até que eu acidentalmente pisei no oceano, e Steven entrou nele, apenas a metade superior do seu sprite visível, como os nadadores que você encontra no ginásio de Cerulean. Eu não sabia que ele podia nadar...
Steven: O que está perdido... (No original, “the missing one”)
O que está perdido? Eu pausei por um momento, ele não podia estar falando... Isso, eu não tinha tentando o truque do MissingNo nesse hack ainda, mas encaixava muito bem, isso deveria ser o que ele estava querendo dizer. Eu “nadei” até Cinnabar. Eu comecei a sentir que algo estava fora do lugar, mais do que já estava. Silêncio. A música de Lavender Town já tinha parado, não tinha barulho, nem nenhum Pokémon. Eu continuei, encontrando Cinnabar e nadando para cima e para baixo na costa leste.
MISSINGNO selvagem apareceu!
Steven: Meu...
MISSIGNO selvagem foi capturado!
O quê? Steven não fez nada, ele só comandou aquela atrocidade de dados corrompidos para se juntar a ele, não, tornar-se sua possessão, e assim foi. Eu estava ficando mais e mais perturbado por isso tudo, checando o menu, vi que MissingNo. não estava no meu time, mas era um item, fazendo as coisas ficarem ainda mais esquisitas. Eu chequei seu Trainer Card também. Steven estava de costas para mim, seu cabelo longo atrás de si, suas mãos nos bolsos, nada mais. Lembrando o que ele tinha dito no começo da noite, eu soube o que tinha que fazer...
Eu saí da ilha e fui na direção nordeste para, onde mais, Lavender Town. No caminho, percebi que todos os treinadores, ainda estranho por estarem fora a essa hora, não olhavam para Steven, todos eles virando-se quando ele passava, até os que normalmente ficam parados. Eu tentei falar com um dos guardas em uma casa.
“Apenas vá...”
Todos eles diziam a mesma coisa, apesar de que teve uma frase que fez arrepios descerem pela minha espinha.
“Às vezes, morto é melhor.”
Minhas mãos estavam suando nesse ponto, Steven estava para tentar o impossível, algo que alguns veriam como um crime contra a natureza, o que muitas dessas pessoas fazia como sua opinião. Eu me recompus, era só um jogo, e eu iria completá-lo.
Levou uma eternidade para chegar à Pokémon Tower, mas eu eventualmente cheguei lá, respirando fundo e indo até a lápide. Eu lembrava qual era, a imagem de Steven na frente dela estava gravada na minha mente, afinal de contas. Primeiro, eu tentei inspecioná-la.
Steven: Miki...
Nada aconteceu. Nervoso, eu abri o menu e selecionei MissingNo. na mochila.
CARVALHO: Steven, não o use!
Eu me lembrei de quando o Professor Carvalho magicamente diz que você não pode usar um Key Item em algum lugar, como quando se tenta usar a bicicleta numa casa, apesar de que a mensagem era diferente dessa vez, e, pior ainda, Steven respondeu.
Steven: Num mundo que me enganou, por que eu deveria jogar de acordo com as regras...?
Steven usou ISSO!
.....................
.....................
.....................
.....................
Steven recebeu M@#$!
Que raios eu tinha recebido? Eu não posso te dizer, porque o jogo tirou meu controle. Sem meu comando, Steven começou a sair da torre por vontade própria, andando passo por passo. O tema de Lavender Town começou de novo quando ele deixou a torre e começou sua horrivelmente lenta jornada contra a minha vontade. Toda vez que ele cruzava uma das fronteiras, a música mudava, ficando progressivamente mais lenta, mais e mais perturbadora, quando ele chegou em Cerulean City, era só um murmúrio demoníaco. Eu simplesmente fiquei lá, assitindo-o, tentando imaginar aonde ele estava indo, mas estava ficando mais e mais óbvio. Ele estava indo para Pallet Town.
A música tinha parado quando ele chegou lá, tocando nota por nota. Ele foi exatamente aonde eu imaginava, direto para sua casa, dentro, e no andar de cima. Nesse ponto, não tinha música, Steven se movia passo por passo, parando na cama do irmão, virando para encará-lo. Primeiro, eu pensei que o game tinha congelado, ele não fez nada, apenas ficou ali, e eu não podia movê-lo. Eu, porém, descobri que podia abrir o menu. Eu estava com medo de olhar, mas não podia me conter. Eu selecionei seu Trainer Card.
Houve um som baixo de rosnado, como um som distorcido de um Pokémon. Steven estava olhando para mim de novo, diretamente para a tela. Ele estava curvado, a franja escurecendo seu rosto, seu cabelo estava selvagem e desarrumado. Por entre a franja, não tinha nem um rosto, só preto, dois olhos vermelhos olhando direto para frente, e um sorriso branco contrastando com a escuridão. Isso não era tudo.
Seu nome era agora S!3v3n.
Eu não podia parar de olhar, meus olhos grudaram nos dele, sem quebrar o contato por algum tempo. Minha visão foi ficando embaçada até que eu não consegui mais ver direito, meu rosto ficou molhado. Eu estava chorando, como um bebê. Não tinha nada que eu pudesse fazer para segurar as lágrimas. Eu estava com esse garoto desde o início, eu o levei à grandeza, e fui, então, forçado a assistir seu declínio depois de um acidente trágico, e agora... Ele era isso. Essa coisa, essa abominação.
Eu o assisti ficar louco.
Engolindo as lágrimas, secando os olhos, eu fechei o Trainer Card e tentei salvar o jogo, querendo apenas sair. O game me informou que isso era impossível.
“Nada pode ser salvo agora.”
O menu não fechava, não importava o que eu fizesse, então, sem outra opção, eu chequei a mochila, nada aconteceu. Eu chequei os Pokémon, e havia um. Um único sprite me recebeu, tinha zero HP, seu status: DED, seu nome M@#$. Eu selecionei-a, e foram me dadas quarto opções.
->STATUS
“É ela…”
->TROCAR
“Nunca”
->FECHAR
“…Não…”
->ESTRANGULAR
Meus dedos tremendo, eu selecionei ESTRANGULAR, e o menu fechou, mostrando Steven no quarto de novo.
S!3v3n: Adeus...
SNAP!
O jogo desligou. Eu estava mais intrigado do que assustado. Um pouco em choque, eu liguei-o de volta, a tela de título mostrando o S!3v3n maníaco e um Charizard horrivelmente distorcido. Eu apertei start, e, então, Continue.
Tudo o que eu vi foi uma visão mais distante de Pallet Town, mostrando a casa de Steven no oeste, grama alta ao redor dela, aquelas pedras não-movíveis bloqueando-a do resto da cidade. A imagem estava completamente estática, sem música, sem movimento, antes de ficar branca e voltar para a tela de título.
Estava como quando eu a vi pela primeira vez. Um treinador e um Charizard. Eu tentei apertar Continue.
“...Não...”
Eu cresci interessando nesses jogos hackeados que são aparentemente vendidos em qualquer loja suspeita, no Ebay, ou dados por gente sem teto para passantes aleatórios. Eu não tive o prazer de conhecer essas pessoas estranhas, eu simplesmente encontrei essa fita popular numa lixeira quando o caminhão de lixo veio recolher o lixo do meu vizinho. Eu notei o jogo e perguntei ao cara do lixo se eu podia levá-lo, e ele não pareceu se importar. Tinha sido jogado fora, afinal de contas. Eu, claro, chequei com o meu vizinho para confirmar se eles realmente não queriam, e eles pareceram perplexos, como se nunca o tivesse visto na vida.
O filho deles até quis, um garotinho que viu o Charizard na fita, dizendo “Pokémon! Mamãe, eu quero!”, mas a mãe dele disse que não, já que eu tinha encontrado. Ele nem tinha um Game Boy, só gostava de Pokémon.
Não pensando mais nisso, eu simplesmente voltei para casa, olhando para o adesivo da fita no caminho. Apenas uma simples versão Red, o adesivo levemente rasgado pelo pescoço do Charizard, mas isso já era esperado de um game tão velho. Eu tive a versão Blue quando criança, então, estava um pouco ansioso para as, embora mínimas, diferenças que a versão Red tinha. Eu fiquei desapontado pelo que vi quando a tela de título apareceu.
“Pokémon: Strangled Red Version.”
Droga, era um hack. Hacks eram até legais e tal, mas eles tinham zero de valor monetário, os originais até que eram valiosos agora, e eu queria jogar Red, não esse negócio. Mas, bem, era de graça, eu poderia ao menos tentar. Porém, o nome era estranho, Strangled Red? (N.: A tradução de "strangled" é "estrangulado".) Isso não fazia sentido, nem mesmo numa mórbida descrição de alguém sendo asfixiado, já que as pessoas ficam azuis quando sufocam, não vermelhas. Quem sabe, talvez havia um par desses hacks e eu peguei o vermelho.
Quanto mais eu pensava sobre isso, mais interessado eu ficava. Meu desapontamento inicial virou curiosidade, eu queria saber o que criador tinha feito, e eu ia anotar tudo o que eu via. A primeira coisa estranha que eu notei na primeira tela foi que havia um Charizard do lado do treinador ao invés de um Charmander, e, também, os Pokémon nunca mudavam que nem nas versões originais, só ficava o Charizard, mesmo depois de cinco minutos de espera. Dando de ombros, eu apertei start, percebendo que não havia o som do Charizard como eu achava que deveria ter.
Eu vi que tinha uma opção “Continue”, e decidi que faria o que todo mundo faz com esses jogos usados: ver o que o dono anterior havia feito.
“...Não...”
Pisquei, surpreso. Não? O que você quer dizer com não? O jogo não me deixava continuar por nada, apesar de que, na quarta tentativa, eu ouvi o som do Charizard, baixo e quase inaudível, mas estava lá. Desistindo, eu apertei New Game, como eu teria feito depois de checar o file anterior, de qualquer jeito.
A tela ficou preta por um momento, sem Professor Carvalho, sem tema inicial, nada. Eventualmente, a tela apareceu, mostrando um quarto, duas camas, duas TVs e um computador num canto. O sprite do meu treinado era o normal, consistente com a versão Red original. Eu estava intrigado sobre porque não tinha perguntado meu nome, mas isso foi respondido quando eu abri o menu, vendo que o meu treinador se chamava “Steven”. Não, esse não é meu nome real ou qualquer coisa assim, esse game não tem vida própria e nem é assombrado, pelo menos, não que eu saiba, era só um nome já escolhido. Curioso, eu vi que ele tinha a quantidade inicial de dinheiro, nenhuma insígnia. Ele não parecia Red, seu cabelo era mais longo, quase chegando no meio das costas, o sorriso normal de Red substituído por um sorrisinho confiante. Honestamente, eu achei esse sprite muito mais maneiro que o de Red.
Depois, eu chequei seu Pokémon, um único Charmander, nível cinco, chamado “Miki”. Nada estranho sobre ele... Ou, eu deveria dizer ela, com o nome e tudo. Ela tinha os stats normais de um Charmander, sabia apenas Scratch e Tail Whip, coisas básicas. O game parecia relativamente normal. Retornando ao jogo, eu andei pelo quarto, notando que o cabelo longo de Steven estava presente nas costas do meu sprite de treinador quando minhas costas estavam viradas para a câmera. Eu não reconheci a casa, mas desci as escadas para ver mais. No andar de baixo, havia outro treinador, que falou comigo no instante em que apareci.
Mike: Já está pronto?
Steven: Já.
Eu considerei esse “Mike” como meu rival, pré-decidido para mim, um substituto de Blue, apesar de que eu me lembrava do quarto ter duas camas, percebendo que eles não eram rivais, eram irmãos. Eles falaram um pouco, diálogo básico do Pokémon, se tornar um mestre Pokémon, capturar todos eles, coisas assim, antes de terem uma pequena discussão sobre quem era melhor, Charmander ou Squirtle, o que, é claro, levou ao uma batalha introdutória, como a VS. Blue no laboratório. Bastante simples, Scratch, Tackle, Scratch, Tackle, até que eu ganhei simplesmente por ter tido o primeiro turno. Eu escrevi sobre como o sprite de Steven em combate era muito melhor que o de Red, uma pose diferente, parecendo que seu cabelo estava ao vento, uma melhorada leve, mas, ainda assim, melhor. Eu deixei a casa depois de zoar um pouco meu “irmão”, sendo recebido pelo tema de Pallet Town. Indo para o leste, eu descobri que essa era, com certeza, Pallet, a casa estava simplesmente mais longe, no oeste. Eu notei que não havia um misterioso campo de grama como na Pallet normal.
Andando por aí, decidi checar a casa de Red. A mãe dele estava lá, e, quando eu falei com ela, ela comentou sobre o quão bonito Steven era, esperando que seu filho usasse ele como um exemplo quando se tornasse um treinador no próximo ano, o que me fez finalmente perceber que esse jogo se passava um ano antes do Pokémon original. Red estava no andar de cima, jogando SNES no seu quarto, comentando “Eu também vou ser o melhor quando for minha vez!”
Eu estava começando a gostar desse hack. Era interessante, uma aventura completamente nova, um personagem diferente, caramba, Steven até parecia ter uma história com as pessoas dessa cidade, uma reputação, uma personalidade além de um protagonista silencioso. As pessoas da cidade falavam com ele como uma pessoa, mantendo uma conversa, não só tagarelando aqueles tutoriais. Até a irmã de Blue tinha um novo diálogo, eles pareciam estar namorando, já que o diálogo terminou com um beijo e um coração em cima da cabeça dela.
O Professor Carvalho simplesmente me desejou sorte, me dando uma Pokédex para me ajudar na minha aventura. Ele não estava me dando para ser a razão por trás da aventura toda, como em qualquer outro jogo de Pokémon por aí, ele me deu só por gentileza, algo para me ajudar no meu caminho, um presente. Eu estava gostando disso mais e mais a cada segundo, o jogo parecia ter uma história de verdade agora! Eu era alguém, não só um protagonista anônimo que qualquer um pode ser, não só uma tela em branco que pode ser substituída sem que ninguém perceba.
A história era diferente, apesar de que a jogabilidade era a mesma. Eu fui para o norte como precisava, fui de cidade em cidade, consegui insígnias, recebi os elogios dos líderes. A fama de Steven parecia se espalhar, já que alguns NPCs falavam com ele como se o conhecessem.
Eu usava Miki em toda batalha, e ela estava crescendo surpreendentemente rápido. Ela acabou com Brock facilmente, até derrotou Misty sem nenhum problema. Ela não era tão afetada por ataques super efetivos como outros Pokémon, causava mais dano do que um um Charmander normal, ela tinha uma incrível potência! Ela até se tornou um Charizard no nível vinte cinco, nada mal, devo dizer.
As coisas começaram a ficar estranhas quando eu cheguei a Lavender Town. Eu sei, eu sei, Lavender Town é o foco por trás de toda história assustadora, mas era o único lugar perceptivelmente diferente. Não havia invasão da Equipe Rocket, o que eu achei estranho, apesar de que lembrei que isso era um ano no passado, então a invasão não ia acontecer até que chegasse a hora do Red. Eu tentei entrar na Pokémon Tower, querendo pegar um Ghastly, mas foi aí que ficou esquisito.
Steven: Eu não tenho razão para estar aqui...
Steven não entrava na Pokémon Tower, não importasse o que eu fizesse. Isso era estranho, eu quero dizer, caramba, há milhares de lugares em Kanto em que você não precisa estar, como pequenas casas aleatórias com nada além de NPCs de crianças, por exemplo. Por que era aqui que Steven não podia entrar? Ignorando, eu percebi que não precisaria de um Ghastly, já que Miki resolvia qualquer coisa, então simplesmente continuei no meu caminho, Lavender Town servindo apenas como um lugar com um Poké Center.
O game progrediu normalmente daí, os ginásios restantes sucumbiram e eu eventualmente cheguei à Liga e derrotei-os. Com Blue, meu “irmão” Mike estava lá antes de mim, iniciando a batalha, a qual Miki acabou facilmente. O que se seguiu depois da batalha foi agradável, nenhuma das tensões que está presente entre Red e Blue no final da partida deles, os irmãos parabenizaram um ao outro pelo progresso deles e apertaram as mãos, antes da tela ficar branca, sem Hall of Fame ou créditos.
Quando a tela voltou, eu estava em casa de novo, os dois irmão sentados ao computador, conversando.
Steven: Eu não quero...
Mike: Vai, eu só vou pegá-la emprestado por um segundo para terminar a Pokédex, não vai ter registro a não ser que ela me reconheça como mestre por um momento.
Steven: Mas ela é minha Miki...
Mike: Eu prometo que vou devolvê-la, vai, por favor?
-> Sim?
Não?
Eu estava um pouco perplexo, então apertei Não, só pra ser cauteloso.
Mike: Vai, por favor?
NÃO
Mike: Vai, por favor?
Eu percebi que isso se repetiria até eu apertar sim, então foi isso o que eu fiz, só para ver o que aconteceria.
Mike: Certo, isso só vai levar um segundo, e então, nós dois vamos ser mestres Pokémon!
Steven: ...
A tela mudou para a animação mostrada quando duas pessoas trocam Pokémon, o que eu achei estranho, já que eu estava sozinho, mas, que seja, isso era o que aparentemente tinha que acontecer. Miki foi primeiro, eu assisti indiferente quando ela começou a passar pelo tubo de troca.
SNAP!
Isso me fez pular, o som súbito ressoando meu quarto silencioso, alto por causa do volume estar no máximo. Eu notei que o jogo pareceu travar, Miki ainda no meio da troca, mas o jogo não estava fazendo nada. Com um suspiro, eu desliguei o jogo, imaginando quando era meu último save. Quando o game voltou, eu encarei por um momento a tela inicial, não tinha Charizard do lado do treinador. Apertando start, eu vi que a opção de New Game estava ausente, deixando apenas Continue. Isso era... Estranho, no mínimo, então eu selecionei-a, o jogo começando sem ao menos mostrar meu status, como deveria.
Meu queixo caiu com o que eu fui recebido.
UM ANO DEPOIS
O tema de Lavender Town veio primeiro, tocando normalmente, a tela lentamente aparecendo da negritude. Steven estava na Pokémon Tower, o que fez a música ficar ainda mais estranha, já que a torre tinha seu próprio tema. Ele estava na frente de uma lápide, sem fazer nada. Imaginando o que estava acontecendo, eu apertei A.
Steven: ...
Confuso, eu tentei andar, notando que eu estava no controle no momento. Eu abri o menu e chequei meu time. Miki tinha sumido. Não só Miki, todos os Pokémon. Ele não tinha nada, a Pokédex estava ausente do menu, sua mochila estava vazia. Honestamente preocupado agora, eu chequei seu Trainer Card.
Ele não tinha dinheiro. Ele não tinha insígnias. Seu tempo de jogo era 8975, o que era impossível, já que eu só tinha 30 no último save. Mas essa não era a parte mais estranha.
A imagem dele, a imagem do jovem treinador bonito e confiante estava... Diferente. Seus olhos estavam vazios, o rosto levemente virado para baixo, o sorriso tinha sumido, substituído pela falta de qualquer expressão, todo aquele cabelo longo, antes num estado perfeito, estava agora bagunçado e mal cuidado. Eu não podia mais olhar para ele, fechando o menu, eu fui sair da torre, mas, com cada passo que fazia eu me afastar da lápide, a tela dava um pulo, como acontece quando um Pokémon está envenenado. Engolindo em seco, eu abri o Trainer Card de novo, a imagem ficando pior. Com cada passo que eu dava, ele abaixava a cabeça mais e mais, o ombro caído, ele se inclinou. Quando eu saí da torre, ele estava de joelhos, mãos no rosto, o cabelo sobre ele.
Eu já tinha adivinhado o que estava acontecendo, mas isso definiu tudo. Eu comecei a juntar as coisas na minha cabeça. Eu sempre imaginei porque não tinha um campeão nos jogos originais além do seu rival. Porque você, o protagonista, tinha que derrotar seu rival, quando ele simplesmente aparecia lá, sem um campeão anterior para desafiar. Então, me aconteceu. A resposta estava lá.
O campeão anterior tinha desistido.
Sua preciosa Miki estava aparentemente morta, e, com ela, morreu também uma parte dele. Sua Pokédex, suas insígnias, sua fama, tudo, ele jogou fora. Naquele ano, o ano que eu perdi, o ano em que todas aquelas horas surgiram, eu até fiz a conta, há 8765 horas num ano, adicione isso às minhas 30 de antes e os resultados batem.
Mesmo assim, o jogo continuou, isso devia ser um final, eu pensei, quero dizer, o que mais havia para fazer? Eu não tinha Pokédex, nenhum Pokémon, nada. O que eu deveria estar fazendo? Eu falei com todos da cidade, mas todos eles diziam as mesmas coisas.
“Você está bem?”
“Ainda lamentando, ao que parece...”
“Tudo vai ficar bem...”
“Por favor... Tem algo que possamos fazer?”
Steven nunca respondia a eles, e todos eles simplesmente diziam a mesma coisa de novo e de novo. Eu não podia deixar esse jogo de lado agora, era tão estranho. Curioso, eu fui para a grama alta, e, eventualmente, entrei em uma batalha com um Rattatta. Nenhum Pokémon foi lançado, só o sprite de Steven. Eu estava imaginando como eu iria batalhar.
RATTATTA selvagem deixou você aí.
A batalha acabou sem nada acontecer. Isso era certamente interessante, e aconteceu com todos os Pokémon que eu encontrei.
PIDGET selvagem ignorou você.
PONYTA selvagem foi embora.
A música também nunca mudava. Não importava aonde eu fosse, Lavender Town saía do Game Boy, me seguindo, às vezes ficando levemente mais devagar, às vezes não. Eu procurei em todos os lugares, todas as cidades, falei com todo mundo, imaginando o que eu deveria fazer. Minha frustração estava se misturando à atmosfera depressiva, fazendo a experiência ser desconcertante e desconfortável, mas eu não podia me separar disso. Eu estava começando a ficar um pouco bravo, também, ninguém me dizendo nada além de me dar suas condolências e tentar me dar itens como LEMONADE ou COFFEE, cada um respondido com:
Steven: ...Não...
Eu me dei um tapinha pro causa da minha idiotice, subitamente percebendo que a resposta mais lógica estava bem na minha frente, Pallet Town, é claro! Eu fui lá, mas isso tomou um longo tempo, tendo que andar, sem Pokémon para voar, nenhuma bicicleta, e Steven parecia se mover só na metade da velocidade normal, o que não era muito diferente. Primeiro, eu tentei falar com o Professor Carvalho.
“Essas coisas acontecem... Você só foi azarado.”
Depois, tentei a irmã de Blue.
“Por favor... Não vá embora de novo...”
A mãe de Red nem sequer falou comigo. Sem nenhum outro lugar para ir, eu fui para o oeste, encontrando a casa do começo, a qual eu nunca entrei desde deixar Pallet Town. Dentro, estava Mike, mas falar com ele era tão inútil quanto.
Mike: Eu sinto muito...
Eu pensei por um momento se esse era mesmo o final, Steven condenado a fazer nada além de andar por Kanto em miséria, assombrado por memórias, forçado a ouvir as preocupações de todos sobre ele. Como um último esforço para fazer algo, eu fui para o quarto e me movi até a cama.
Steven: Eu vou dormir...
A tela ficou preta por um momento, mas, então, lentamente apareceu de novo, o mundo com um tom mais escuro, o sprite de Mike na outra cama, eu assumi que isso significava que era de noite.
Steven: Eu vou fazer isso…
Fazer o quê? De novo, eu não tinha idéia, tentei investigar tudo no quarto, nada aconteceu. Quando eu deixei a casa, outro diálogo.
Steven: AQUILO pode trazer ela de volta... AQUILO pode fazer qualquer coisa...
O que era AQUILO? Algo que podia fazer qualquer coisa, eu não conseguia descobrir o que era. Andando por aí, eu tentei deixar Pallet Town da maneira normal.
Steven: Não é aí.
Ele não ia mais longe, eu tentei as casas.
Steven: Que se danem eles...
Eu levantei uma sobrancelha para isso, esquecendo por um momento que isso não era um jogo de Pokémon real, a vulgaridade apenas me pegou desprevenido. Eu continuei a olhar ao redor, mas não tinha nenhum lugar que eu podia ir, até que eu acidentalmente pisei no oceano, e Steven entrou nele, apenas a metade superior do seu sprite visível, como os nadadores que você encontra no ginásio de Cerulean. Eu não sabia que ele podia nadar...
Steven: O que está perdido... (No original, “the missing one”)
O que está perdido? Eu pausei por um momento, ele não podia estar falando... Isso, eu não tinha tentando o truque do MissingNo nesse hack ainda, mas encaixava muito bem, isso deveria ser o que ele estava querendo dizer. Eu “nadei” até Cinnabar. Eu comecei a sentir que algo estava fora do lugar, mais do que já estava. Silêncio. A música de Lavender Town já tinha parado, não tinha barulho, nem nenhum Pokémon. Eu continuei, encontrando Cinnabar e nadando para cima e para baixo na costa leste.
MISSINGNO selvagem apareceu!
Steven: Meu...
MISSIGNO selvagem foi capturado!
O quê? Steven não fez nada, ele só comandou aquela atrocidade de dados corrompidos para se juntar a ele, não, tornar-se sua possessão, e assim foi. Eu estava ficando mais e mais perturbado por isso tudo, checando o menu, vi que MissingNo. não estava no meu time, mas era um item, fazendo as coisas ficarem ainda mais esquisitas. Eu chequei seu Trainer Card também. Steven estava de costas para mim, seu cabelo longo atrás de si, suas mãos nos bolsos, nada mais. Lembrando o que ele tinha dito no começo da noite, eu soube o que tinha que fazer...
Eu saí da ilha e fui na direção nordeste para, onde mais, Lavender Town. No caminho, percebi que todos os treinadores, ainda estranho por estarem fora a essa hora, não olhavam para Steven, todos eles virando-se quando ele passava, até os que normalmente ficam parados. Eu tentei falar com um dos guardas em uma casa.
“Apenas vá...”
Todos eles diziam a mesma coisa, apesar de que teve uma frase que fez arrepios descerem pela minha espinha.
“Às vezes, morto é melhor.”
Minhas mãos estavam suando nesse ponto, Steven estava para tentar o impossível, algo que alguns veriam como um crime contra a natureza, o que muitas dessas pessoas fazia como sua opinião. Eu me recompus, era só um jogo, e eu iria completá-lo.
Levou uma eternidade para chegar à Pokémon Tower, mas eu eventualmente cheguei lá, respirando fundo e indo até a lápide. Eu lembrava qual era, a imagem de Steven na frente dela estava gravada na minha mente, afinal de contas. Primeiro, eu tentei inspecioná-la.
Steven: Miki...
Nada aconteceu. Nervoso, eu abri o menu e selecionei MissingNo. na mochila.
CARVALHO: Steven, não o use!
Eu me lembrei de quando o Professor Carvalho magicamente diz que você não pode usar um Key Item em algum lugar, como quando se tenta usar a bicicleta numa casa, apesar de que a mensagem era diferente dessa vez, e, pior ainda, Steven respondeu.
Steven: Num mundo que me enganou, por que eu deveria jogar de acordo com as regras...?
Steven usou ISSO!
.....................
.....................
.....................
.....................
Steven recebeu M@#$!
Que raios eu tinha recebido? Eu não posso te dizer, porque o jogo tirou meu controle. Sem meu comando, Steven começou a sair da torre por vontade própria, andando passo por passo. O tema de Lavender Town começou de novo quando ele deixou a torre e começou sua horrivelmente lenta jornada contra a minha vontade. Toda vez que ele cruzava uma das fronteiras, a música mudava, ficando progressivamente mais lenta, mais e mais perturbadora, quando ele chegou em Cerulean City, era só um murmúrio demoníaco. Eu simplesmente fiquei lá, assitindo-o, tentando imaginar aonde ele estava indo, mas estava ficando mais e mais óbvio. Ele estava indo para Pallet Town.
A música tinha parado quando ele chegou lá, tocando nota por nota. Ele foi exatamente aonde eu imaginava, direto para sua casa, dentro, e no andar de cima. Nesse ponto, não tinha música, Steven se movia passo por passo, parando na cama do irmão, virando para encará-lo. Primeiro, eu pensei que o game tinha congelado, ele não fez nada, apenas ficou ali, e eu não podia movê-lo. Eu, porém, descobri que podia abrir o menu. Eu estava com medo de olhar, mas não podia me conter. Eu selecionei seu Trainer Card.
Houve um som baixo de rosnado, como um som distorcido de um Pokémon. Steven estava olhando para mim de novo, diretamente para a tela. Ele estava curvado, a franja escurecendo seu rosto, seu cabelo estava selvagem e desarrumado. Por entre a franja, não tinha nem um rosto, só preto, dois olhos vermelhos olhando direto para frente, e um sorriso branco contrastando com a escuridão. Isso não era tudo.
Seu nome era agora S!3v3n.
Eu não podia parar de olhar, meus olhos grudaram nos dele, sem quebrar o contato por algum tempo. Minha visão foi ficando embaçada até que eu não consegui mais ver direito, meu rosto ficou molhado. Eu estava chorando, como um bebê. Não tinha nada que eu pudesse fazer para segurar as lágrimas. Eu estava com esse garoto desde o início, eu o levei à grandeza, e fui, então, forçado a assistir seu declínio depois de um acidente trágico, e agora... Ele era isso. Essa coisa, essa abominação.
Eu o assisti ficar louco.
Engolindo as lágrimas, secando os olhos, eu fechei o Trainer Card e tentei salvar o jogo, querendo apenas sair. O game me informou que isso era impossível.
“Nada pode ser salvo agora.”
O menu não fechava, não importava o que eu fizesse, então, sem outra opção, eu chequei a mochila, nada aconteceu. Eu chequei os Pokémon, e havia um. Um único sprite me recebeu, tinha zero HP, seu status: DED, seu nome M@#$. Eu selecionei-a, e foram me dadas quarto opções.
->STATUS
“É ela…”
->TROCAR
“Nunca”
->FECHAR
“…Não…”
->ESTRANGULAR
Meus dedos tremendo, eu selecionei ESTRANGULAR, e o menu fechou, mostrando Steven no quarto de novo.
S!3v3n: Adeus...
SNAP!
O jogo desligou. Eu estava mais intrigado do que assustado. Um pouco em choque, eu liguei-o de volta, a tela de título mostrando o S!3v3n maníaco e um Charizard horrivelmente distorcido. Eu apertei start, e, então, Continue.
Tudo o que eu vi foi uma visão mais distante de Pallet Town, mostrando a casa de Steven no oeste, grama alta ao redor dela, aquelas pedras não-movíveis bloqueando-a do resto da cidade. A imagem estava completamente estática, sem música, sem movimento, antes de ficar branca e voltar para a tela de título.
Estava como quando eu a vi pela primeira vez. Um treinador e um Charizard. Eu tentei apertar Continue.
“...Não...”

Nenhum comentário:
Postar um comentário